A carne do churrasco sobe a cada fase da Copa, e só a TV ficou mais barata
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O Brasil encerra a fase de grupos nesta quarta-feira e, se avançar, joga os 16-avos em 29 de junho, as oitavas em 5 de julho e segue rumo à final, marcada para 19 de julho. A torcida vai se repetir a cada rodada, e a inflação do churrasco também. Como a Copa ainda vai longe, vale olhar não só para o jogo de hoje, mas para o que a mesa vai custar nas próximas semanas. E os números do IPCA já adiantam o placar, porque a comida da grelha sobe enquanto a TV que transmite tudo fica mais barata.
A inflação do churrasco correu acima do índice
Os itens que vão para a grelha lideram a alta. Em doze meses, as carnes subiram 7,91%, o carvão vegetal avançou 6,12% e o refrigerante e a água ficaram 5,92% mais caros, segundo o IPCA. Todos correm bem acima dos 4,72% do índice cheio. A cerveja foi a parte mais comportada do combo, com alta de 3,00%, abaixo da média. Ou seja, montar o churrasco para ver a seleção custa hoje sensivelmente mais do que há um ano.

Os itens da grelha sobem acima do IPCA, e só o televisor aparece no campo negativo.
A única coisa que barateou foi a tela
Do outro lado, a televisão seguiu na contramão e caiu 3,14% em doze meses. Não é acaso, e sim uma regra antiga, porque eletrônicos são bens industriais, expostos aos importados e ao avanço tecnológico, que há anos seguram a inflação brasileira. Por isso a frase parece estranha, mas é verdadeira: em termos relativos, raramente foi tão barato trocar de TV para assistir ao Brasil. O aperto, mesmo, está no que vai à boca, e não no que aparece na tela.
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E aqui entra o olhar para frente. A carne não só está cara como vem acelerando, já que nos últimos três meses subiu 1,73%, 1,59% e 1,39%, uma sequência forte que tende a manter o churrasco salgado nas oitavas e nas quartas. Vale lembrar, porém, que alimentos são voláteis e respondem a clima e safra, portanto parte dessa pressão pode ceder no segundo semestre. O carvão e o refrigerante, por sua vez, acompanham custos de produção e logística, que seguem pressionados. Em resumo, a tendência é que a conta do churrasco continue subindo conforme a Copa avança, ainda que em ritmo um pouco menor.
Mais caro que em 2014, igual a 2022
Mas o churrasco está cada vez mais caro? Depende do horizonte. Montar a mesa para cinco amigos por jogo custa hoje cerca de 200 reais. Trazendo os preços para o valor de hoje, esse mesmo churrasco custava por volta de 202 reais na Copa do Catar, em 2022. Ou seja, da última Copa para cá, em termos reais, o custo praticamente não mudou, porque a cesta subiu quase o mesmo que a inflação geral.
A conversa muda quando o retrovisor é mais longo. Em relação à Copa de 2014, no Brasil, o mesmo churrasco saiu de cerca de 165 reais, em valores de hoje, para os atuais 200. É uma alta real de aproximadamente 22% em doze anos, acima da inflação. O detalhe é que esse aperto não foi gradual: ele se concentrou no choque da carne entre 2019 e 2021. Depois disso, de uma Copa para a outra, a mesa apenas acompanhou o índice.

Custo de um churrasco para cinco amigos, sempre em reais de hoje. O salto real ficou entre 2014 e 2022.
O recado para o investidor
Para quem investe, a Copa serve de metáfora. Assim como a seleção entra na fase decisiva, a economia também, porque o próximo IPCA, de junho, sai em meados de julho, em plena fase de mata-mata, e as reuniões seguintes do Copom vão definir o ritmo dos cortes da Selic. A boa notícia é que a inflação de alimentos é justamente a parte volátil, que costuma passar. A má notícia é que a parte teimosa, dos serviços, segue pressionada e limita o espaço para o juro cair. Por isso vale o mesmo conselho de quem assiste ao jogo, que é não decidir no calor da emoção. Os papéis atrelados ao IPCA continuam protegendo essa inflação que vai à mesa, o pós-fixado se beneficia do juro alto e a euforia de uma vitória não muda os fundamentos na segunda-feira.
No fim, a Copa de 2026 tem um roteiro curioso para o bolso da torcida. Quanto mais o Brasil avança, mais caro fica reunir a turma em torno da grelha. A única ajuda vem da tela, que ficou mais barata bem na hora certa. O resto, do contrafilé ao carvão, o IPCA já avisou que vai pesar até a final.
Relatório completo no LinkedIn:
Fontes: subitens do IPCA (carnes, carvão vegetal, refrigerante e água mineral, cerveja e televisor), variação acumulada em 12 meses até maio de 2026, do IBGE, via Macrodados. IPCA cheio de 4,72% em 12 meses. Calendário da Copa do Mundo 2026: 16-avos em 29 de junho, oitavas em 5 de julho e final em 19 de julho.