Para especialistas, volta ao trabalho sem escolas para crianças é ‘preocupante’

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tweet
Compartilhar no linkedin
Publique
Compartilhar no whatsapp
Encaminhe
Compartilhar no email
Envie

Newsletter

Receba notícias por Whatsapp

Receba notícias pelo Telegram

Uma das questões mais preocupantes na discussão sobre a volta ao trabalho presencial, segundo os especialistas, é a situação de mães e pais que não têm como deixar o home office sem que as escolas voltem com as atividades normais.

“Já era difícil equacionar família e carreira, agora ficou pior. Todo mundo tinha a ilusão de que quando está no trabalho está no trabalho, quando está em casa está em casa. Mas a quarentena mostrou que está tudo interligado e que é impossível estar bem em casa se não está bem no trabalho e vice-versa”, explica Flavia Deutsch.

Ao lado da sócia, Paula Crespi, ela criou no último ano a Theia, uma plataforma digital que promove soluções em rede para pais e mães que trabalham, com profissionais dedicados às necessidades dos pais, como psicólogos, pedagogos e pediatras. Até a pandemia, o serviço era disponibilizado apenas para as empresas, que fazem a contratação para seus funcionários. Com as dificuldades da quarentena, ele foi ampliado também para pessoas físicas. A empresa também desenvolveu um guia gratuito de como planejar a volta ao escritório.

“Tem um grande desafio que é: como pais e mães voltam para o escritório sem voltar creche e escola? Como você tira um pai e uma mãe de casa, sem ter onde deixar o filho?”, questiona. Flavia conta que, em contato recente com uma grande varejista brasileira, com lojas no País inteiro, essas questões apareceram.

“Eles têm muitas vendedoras mães e fizeram uma pesquisa para saber quem poderia voltar a trabalhar presencialmente e 90% das mulheres responderam que podiam voltar no dia seguinte. Mas a própria empresa sabia que era mentira. Existe uma questão de sobrevivência que se sobrepõe porque existe uma necessidade maior de colocar comida na mesa”, aponta.

A advogada C.R., de 33 anos, não teve escolha. Mãe de uma criança de dois anos, foi obrigada pelo escritório a voltar ao trabalho presencial no início de junho, mesmo após os resultados de maior produtividade no home office. “Eu tentei argumentar que não havia escola e nenhum lugar para deixar o meu filho e cheguei até a pensar em pedir demissão. A ordem foi de que as pessoas se virassem sob o argumento de que o emprego neste momento é muito importante diante da crise do País.”

Desde o último mês, C.R. vai ao escritório três vezes na semana e deixa o filho com a mãe. “Hoje, a realidade é que eu pego transporte público e exponho o meu filho e a minha mãe ao risco de contágio”, conta.

Transparência

“Ao mesmo tempo que há pais e mães que não conseguem voltar para o escritório, temos quem está sozinho em casa e está desesperado para voltar. As empresas estão tendo de conciliar quem não pode voltar com quem não quer voltar e quem está desesperado para voltar. Não é uma decisão trivial óbvia não voltar completamente ou voltar completamente”, explica Flavia.

Para isso, os especialistas consultados concordam que o melhor caminho é ouvir o que os funcionários têm a dizer. Uma pesquisa feita pela consultoria Great Place to Work (GPTW), e divulgada com exclusividade ao Estadão, ouviu 72.411 funcionários de 181 empresas para entender como eles percebem a gestão das empresas durante a pandemia. Entre os respondentes, 89% acreditam que, embora não haja respostas para o futuro, a empresa está no caminho certo. Outros 6% reconhecem as dificuldades, mas confiam na empresa para buscar a melhor solução.

Já 3% veem ausência de ações por parte da empresa em relação ao cuidado com os funcionários e a ouvi-los. Outros 2% acreditam que o foco nas pessoas está sendo negligenciado e precisa haver mais cuidado como, por exemplo, disponibilização de máscaras e luvas.

“Percebemos que as empresas dos respondentes e as que estão no nosso radar se preocupam com os funcionários, mas podiam estimular mais que as pessoas se envolvessem nas ideias para o negócio”, aponta a cientista de dados da GPTW Lina Nakata. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Publicidade

Leia também

Destaques da bolsa ativos durante o pregão - das 10h as 17h - Fonte: Google Finance - delay aprox. de 20 min.

*Dados inativos fora do horário do pregão.