MANHÃ DO MERCADO: Inimigos da agenda liberal

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Terra

Cenário Externo

Pausa no rali

Mercados

Bolsas asiáticas voltaram a encerrar a sessão com desempenhos mistos, sem grandes destaques. Na zona do euro, os principais índices de mercado amanheceram em tom negativo, com o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos ao redor do continente europeu, recuando 0,5% até o momento. Em NY, índices futuros oscilam em torno da estabilidade, com leve viés de baixa, enquanto o dólar (DXY) segue perdendo força contra seus principais pares. No mercado de commodities, ativos se movimentam sem tendência bem definida. O preço do petróleo (Brent Crude) recua 0,2%, mas se mantém acima dos US$ 45,00/barril.

Pausa no rali

Bolsas globais iniciaram o dia sem direções claras, dando uma pausa no movimento de alta após mais um dia sem progresso nas negociações em torno do novo pacote de estímulo econômico em Washington. O principal ponto de impasse do momento parece ser magnitude do apoio fiscal aos entes inferiores, cujos Democratas demandam a liberação de US$ 1 trilhão. Ontem, o diretor do Fed de Dallas, Robert Kaplan, voltou a reforçar a importância da extensão das medidas estimulativas para a retomada econômica do país. Neste ambiente, o ouro volta a se valorizar, seguindo trajetória de recuperação após as perdas angariadas no início da semana.

Na agenda

Como tem sido o costume nas 5ªfeiras, o mercado volta a avaliar com uma lupa o número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA. O mercado prevê um novo recuo na semana passada, para 1,1 milhão, ante os 1,186 milhão registrados na semana anterior. À noite (23h), uma série de dados de atividade na China referentes ao mês de julho ajudarão investidores a calibrar expectativas com relação à recuperação econômica na 2ª maior economia do mundo.

Cenário Brasil

Inimigos da agenda liberal

“Nós respeitamos o Teto de Gastos”

Na tarde de ontem, Bolsonaro fez uma declaração prometendo respeitar o teto de gastos, dar andamento às reformas e retomar as privatizações. O presidente estava acompanhado de vários dos seus ministros e dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre. O pronunciamento foi uma tentativa de conter o estrago após dois secretários especiais da equipe econômica pedirem demissão por estarem frustrados com a falta de avanço nas privatizações e os vários atrasos no envio da reforma administrativa.

Transparência de Guedes rendeu frutos

A saída dos secretários Salim Matar e Paulo Uebel abalaram a confiança do empresariado e do mercado no governo. Bolsonaro rapidamente convocou uma reunião com a presença de ministros e dos presidentes do Legislativo para traçar uma resposta contundente na tentativa de limitar a repercussão negativa da debandada. A transparência com que o ministro Paulo Guedes (Economia) justificou os pedidos de demissão aparenta ter surtido o seu efeito desejado; o presidente Bolsonaro rapidamente percebeu que o abandono da agenda liberal (fiscalismo, reformas e privatizações) pode abalar o seu governo.

Gesto vazio?

Agora, a elite do eleitorado do presidente, muitos dos quais o apoiam (toleram) por ser o único presidenciável viável que defende esta agenda, aguardam ações concretas. Esta parcela da base ainda busca determinar se o evento foi um gesto vazio ou se a repercussão negativa da saída de Uebel e Mattar comprovou para o presidente que a sua governabilidade e eventual elegibilidade será determinada por mais que uma expansão do Bolsa Família e a distribuição de cargos para o Centrão.

Normalização negativa

A crise da desbandada é diferente da maioria dos momentos turbulentos vividos até então pelo governo, muitos dos quais foram causados pela ala ideológica. Desta vez, Olavo de Carvalho e seus discípulos não foram os culpados. A aproximação com o Centrão e com os militares, os dois responsáveis pela postura menos combativa do presidente da República nos últimos meses, revelou ter suas próprias consequências negativas. Os militares da Esplanada, em principal o ministro Braga Neto (Casa Civil), defendem a expansão de gastos como ingrediente indispensável para retomada econômica. A visão desenvolvimentista dos generais, vigente desde a ditadura, estava vigente durante a apresentação desastrosa do programa Pró-Brasil em abril e se tornou uma ameaça ao teto de gastos durante as recentes discussões sobre a recuperação.

Privatizações

O congelamento das privatizações também resultou, em parte, da crescente influência dos militares. Os generais tendem a defender a tese de que uma larga gama de empresas controlados pelo estado são “estratégicas”; outro legado ideológico dos anos de chumbo – ao todo, 274 estatais foram criadas durante os governos militares. Também é importante destacar o papel do Centrão na suspensão da agenda de privatizações. O grupo se sustenta em posições de poder com as nomeações de cargos que o governo concede. As saídas na equipe econômica comprovaram que, apesar da normalização benéfica, os novos amigos do presidente as vezes se tornam inimigos da agenda liberal.

Volume de serviços

Após mais um resultado forte do varejo, o investidor avalia o desempenho do setor de serviços em junho, com previsão da primeira alta mensal desde janeiro. Esperamos que o volume de serviços registre um avanço da ordem de 4,0% no mês, na esteira da maior flexibilização da quarentena e contínua injeção de recursos na economia. Caso se concretize, tal resultado representará uma contração da ordem de 12,5% com relação ao mesmo período em 2019; evidenciando o longo caminho que ainda precisará ser trilhado em direção aos patamares pré-crise.

Mais agenda

No restante do dia, o mercado ainda espera a divulgação do índice de confiança do empresário industrial, elaborado pela CNI, e o leilão tradicional de títulos pré-fixados do Tesouro Nacional. Na fronte corporativa, B2W, B3, Equatorial, JBS, Lojas Americanas, Natura, Rumo Logística, Sabesp e Suzano divulgam seus resultados após o fechamento do pregão.

E os mercados hoje?

Na falta de novos avanços nas conversas sobre a extensão de estímulos econômicos nos EUA; ativos de riscos deram uma pausa nos movimentos de alta verificados ontem. No Brasil, o mercado reage ao pronunciamento feito pelo presidente, Jair Bolsonaro, ao lado de Paulo Guedes e dos presidentes da Câmara e do Senado em defesa da manutenção do teto de gastos. Após a saída de Salim Mattar (Secretário especial de Desestatização e Privatização) e Paulo Uebel (Desburocratização, Gestão e Governo Digital) causar um forte mal estar no mercado nesta 4ªfeira, a ação do governo promete amenizar a situação. Apesar do presidente não ter sido muito enfático nas suas críticas aos que desejam a flexibilização do teto no ano que vêm, o fato de que o encontro praticamente acabou com a chances do estado de calamidade pública ser estendido até 2021 deve repercutir positivamente no pregão de hoje. Assim, esperamos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco locais; que deixaram de acompanhar o otimismo externo que tomou conta dos mercados no pregão de ontem.

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