‘EUA e China têm de ser parceiros na rivalidade’

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tweet
Compartilhar no linkedin
Publique
Compartilhar no whatsapp
Encaminhe
Compartilhar no email
Envie

Newsletter

Receba notícias por Whatsapp

Receba notícias pelo Telegram

Sempre que uma potência hegemônica em determinada época percebe a ascensão de outra potência, pode provocar uma guerra que seria inevitável. Essa dinâmica é chamada de “a armadilha de Tucídides” pelo cientista político americano , e estaria acontecendo neste momento entre China e Estados Unidos.

Allison usa as ideias do historiador grego, que há dois mil anos narrou o conflito entre Atenas e Esparta, para demonstrar como um conflito crescente entre as duas superpotências atuais é inevitável.

Em A Caminho da Guerra, lançado pela editora Intrínseca, Graham analisa o impacto do crescimento da China sobre os EUA e sobre a ordem mundial.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, ele, que foi consultor de Ronald Reagan, Bill Clinton e Barack Obama, diz que os países seguem em rota de colisão.

A era de domínio dos EUA pode estar chegando ao fim?

Para os americanos que cresceram em um mundo em que os EUA eram o número um – e isso seria desde 1870 – a ideia de que a China poderia derrubar os EUA como maior economia é impensável. Muitos americanos imaginam que a primazia econômica é direito inalienável, a ponto de se tornar parte de sua identidade nacional. A menos que os EUA se redefinam para se contentar com algo menos do que ser o número um, americanos cada vez mais acharão que a ascensão da China é perturbadora e intimidadora. Não é só mais um caso de competição entre grandes potências, mas uma rivalidade clássica da ‘armadilha de Tucídides’, em que cada um vê o outro como ameaça à sua identidade.

Os EUA perderam influência?

Estamos vendo uma mudança tectônica do poder internacional. A participação dos EUA no PIB global diminuiu de metade em 1950 para um quarto no fim da Guerra Fria em 1991; é um sétimo hoje e está em trajetória para ser um décimo em meados do século. Em 1991, a China mal aparecia em qualquer tabela de participação. Desde então, disparou para ultrapassar os EUA em PIB em paridade de poder de compra (PPC), medida que a Agência Central de Inteligência (CIA) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) consideram como melhor parâmetro de comparar economias. O impacto dessa mudança é sentido não só entre EUA e China, mas entre eles e seus vizinhos. Quando em 2001 a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC), o principal parceiro comercial de cada grande nação asiática eram os EUA. Hoje, o parceiro comercial predominante é quem? China. Dito isso, seria prematuro excluir os EUA. Como o investidor mais bem-sucedido do mundo, Warren Buffet, lembra sempre aos investidores: ninguém nunca ganhou dinheiro no longo prazo vendendo a descoberto (ou seja, vendendo um ativo que não tem, esperando a queda no preço para recomprá-lo depois) nos EUA.

Como evitar a armadilha?

Ao longo dos quatro anos desde que meu livro foi publicado, procuro maneiras de dar uma resposta positiva a essa pergunta – na verdade, para escapar da armadilha de Tucídides. Até o momento identifiquei nove possíveis vias de escape. A que estou explorando mais com acadêmicos chineses e americanos combina um antigo conceito chinês de “parceiros na rivalidade”, uma abordagem que o presidente John Kennedy adotou após a crise dos mísseis cubanos (conflito ocorrido em 1962 relacionado à colocação de mísseis soviéticos em Cuba) – ele pediu para que EUA e União Soviética coexistam em um mundo seguro para a diversidade. Parceiros na rivalidade descreve a relação que o imperador Song, da China, concordou em estabelecer com Liao, uma dinastia da Mandchúria, após concluir que seus exércitos não seriam capazes de derrotá-los. No Tratado de Chanyuan, de 1005, Song e Liao concordaram em competir agressivamente em algumas arenas e cooperar em outras. A questão hoje é se os estadistas americanos e chineses poderiam encontrar um caminho análogo. A possibilidade de que nações possam competir implacavelmente e cooperar intensamente soa para os diplomatas como contradição. No mundo dos negócios, porém, é chamado de vida. Apple e Samsung, por exemplo, são rivais implacáveis no mercado global de smartphones. Mas quem é o maior fornecedor de componentes da Apple para smartphones? A Samsung.

O sr. acredita que China e EUA entraram numa nova guerra fria?

As relações estão destinadas a piorar antes de piorar muito. Quando um poder crescente ameaça substituir um poder governante, alarmes soam: perigo extremo à frente. Tucídides explicou essa dinâmica no caso da ascensão de Atenas para rivalizar com Esparta na Grécia antiga. Desde então, a história se repete. Os últimos 500 anos viram 16 casos em que uma potência em ascensão ameaçou deslocar um grande poder governante e 12 terminaram em guerra. Enquanto os americanos começam a descobrir que a China é um rival sério, a analogia para este embate é cada vez mais a guerra fria. Mas as diferenças entre as rivalidades EUA e China e EUA e União Soviética são significativas. Compreender isso será fundamental na elaboração de uma estratégia dos EUA para o desafio da China. A possibilidade de uma guerra real, por incrível que pareça, é maior do que a maioria avalia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Advertência

Declaramos que o Portal Acionista.com.br não se responsabiliza pelas informações divulgadas neste site e qualquer outro canal, tanto referente às matérias de produção própria , quanto matérias ou análises produzidas por terceiros ou reproduzidas de links autorizados, publicados nas nossas páginas a partir de uma seleção criteriosa, porém sem garantir sua integralidade e exatidão.
Matérias e  análises produzidas por terceiros são de inteira responsabilidade dos mesmos. As informações, opiniões, sugestões, estimativas ou projeções referem-se a data presente e estão sujeitas à mudanças conforme as condições do mercado, sem prévio aviso.
Informamos, ainda, que o Acionista.com.br não faz qualquer recomendação de investimento e que, portanto, não se responsabiliza por perdas, danos, custos e lucros cessantes decorrentes de operações financeiras de qualquer tipo, enfatizando que as decisões sobre investimentos são pessoais.
Importante lembrar sempre: ganhos passados, não são garantia de ganhos futuros.

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email