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O ICOMEX de novembro traz os índices de comércio para o grupo ‘Demais da América do Sul’ composto pela Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, o que junto com os índices da Argentina completa a análise da região sul-americana. A Fundação Getulio Vargas (FGV) optou por destacar a Argentina, que é o principal parceiro do Brasil no comércio da região. Além desses países, são calculados os índices para a China, Estados Unidos e União Europeia. A soma desses países/regiões explicou 69,6% das exportações totais brasileiras no acumulado do ano até outubro e 66,9% das importações, no mesmo período.

Observa-se que a China é o principal país destino das exportações brasileiras (27,8%) e sua diferença para o segundo colocado, os Estados Unidos, foi de 14,7 pontos percentuais. A participação da China supera até a do bloco da União Europeia, que registrou participação de 16,3%. A recessão na Argentina contribuiu para o percentual de 4,4% do país, que é o segundo menor na série histórica que inicia em 2000. Em 2002, com queda no PIB de 10,9%, a participação da Argentina nas exportações brasileiras foi de 3,8%.

Nas importações, embora a China seja o principal mercado das compras externas brasileiras, a diferença dos percentuais é menor em relação aos Estados Unidos e a União Europeia. No caso da América do Sul, a diferença é de 8,6 pontos percentuais.

A importância da China para o comércio exterior brasileiro é presente também na sua contribuição para os superávits da balança comercial. No acumulado até outubro, o saldo da balança foi de US$ 34,9 bilhões, sendo que o saldo com a China foi de US$ 21,4 bilhões. Em seguida, temos ‘Demais da América do Sul’ com saldo de US$ 6,4 bilhões e a União Europeia (US$ 2 bilhões). Com os Estados Unidos, a balança comercial é deficitária.

Os volumes exportados recuam em todos os mercados, exceto nos Estados Unidos que registrou aumento de 13,3%. Nesse mesmo período, os preços de exportações caíram 10%, o que explica o aumento de 2% no valor exportado, apesar da elevação em mais de 10% no volume.

O principal produto exportado foi o petróleo seguido das semimanufaturas de aço (os dois tem uma participação ao redor de 20% na pauta de exportação do Brasil para os Estados Unidos) e registraram queda na comparação do acumulado do ano até outubro. Todos os outros produtos que constam da lista das principais exportações tiveram variação positiva com destaque para a gasolina (332%), etanol (25%) e outras manufaturas (44%). Para a China, o volume exportado caiu 2,8% e a Argentina registrou queda de 35,9% no volume e 38,4%, em valor.

Nas importações, os Estados Unidos novamente se destacam com aumento de 13% no volume, seguido da China com elevação de 1,6% e recuo nos demais mercados. Os óleos combustíveis são a principal importação do Brasil dos Estados Unidos e como o principal produto exportado é o petróleo bruto, o resultado mostra um comércio associado à questão da infraestrutura de refino no território brasileiro. Entre os produtos importados chamou atenção a variação de mais de 1000% nas compras de máquinas para terraplanagem e perfuração.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, mas o comércio brasileiro é diversificado, o que sugere que os interesses da política comercial devem ser multilateralizados. Os Estados Unidos mostram no ano de 2019 o melhor desempenho em termos de volume de comércio, mas para a obtenção dos saldos comerciais positivos, além da China, é preciso considerar o mercado sul americano e o europeu.

(MR – Agência Enfoque)

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