Pela primeira vez, cinco securitizadoras e a B3 vão anunciar uma iniciativa inédita para reconhecer as mulheres que lideram operações do setor. Nessa terça-feira (23), a Opea, líder do setor, realiza na sede da B3 uma premiação do Selo Atena, para mulheres que se destacaram entre 255 operações da Opea em 2025. Durante esse evento, as cinco securitizadoras do mercado também anunciarão que, para 2027, esse prêmio englobará todas as signatárias e não apenas a Opea.
Iniciativa importante na valorização da profissional mulher e no incentivo a outras mulheres que não se veem reconhecidas neste mercado ainda tão masculino. Em total apoio a esta iniciativa o Portal Acionista, mostra um pouco da construção deste legado através das respostas as nossas perguntas abaixo, de Flávia Palacios, CEO da Opea e de Flávia Mouta, diretora de Listagem e Relacionamento da B3.
OPEA
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Como a Opea chegou em 47% de presença feminina?
Flávia Palácios, Opea- Não foi por acaso. Foi uma decisão consciente de construir um ambiente onde diversidade não é discurso, é prática. Isso começa no recrutamento, passa pelo desenvolvimento e, principalmente, por garantir que mulheres tenham espaço real de decisão. Quando isso acontece de forma consistente, o resultado aparece.
A diversidade melhora a qualidade das decisões de investimento?
Flávia Palácios, Opea -Melhora muito. Times homogêneos tendem a repetir padrões e carregar vieses. Quando você traz diversidade para a mesa, amplia o repertório, questiona premissas e toma decisões mais completas. No fim, isso se traduz em decisões melhores.
Como a presença feminina influencia decisões estratégicas na empresa?
Flávia Palácios, Opea – Ela traz mais equilíbrio e profundidade. Times diversos analisam melhor os riscos e constroem soluções mais sustentáveis ao longo do tempo. Estratégia não é só velocidade, é consistência.
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Veja agoraO que as investidoras enxergam que o mercado ainda ignora?
Flávia Palácios, Opea – Com frequência, há um olhar mais atento ao longo prazo, à governança e ao impacto dos investimentos. Isso amplia o tipo de pergunta que se faz antes de decidir, e acaba revelando riscos e oportunidades que nem sempre aparecem em análises mais tradicionais.
Por que mais mulheres deveriam participar das decisões no mercado de securitização?
Flávia Palácios, Opea – O mercado de securitização já é, em muitos aspectos, um ponto fora da curva dentro do mercado financeiro. Existe uma presença relevante de mulheres em posições de liderança, inclusive como diretoras e CEOs de securitizadoras, algo que ainda não é comum em outros segmentos. Dar visibilidade a isso é fundamental, porque representatividade gera referência. E referência abre caminho para que mais mulheres ocupem esses espaços.
Ao ampliar a premiação para 2027, haverá outros incentivos?
Flávia Palácios, Opea – A próxima edição marca uma evolução importante. Para 2027, considerando as operações de 2026, vamos incluir transações de todas as securitizadoras que aderirem ao selo. Hoje já anunciamos a entrada de outras cinco, e o programa segue aberto a novas adesões. A ideia é transformar essa iniciativa em um reconhecimento cada vez mais representativo do mercado como um todo.
Além do prêmio Selo Atena, queremos ampliar a atuação do selo como uma plataforma de promoção da diversidade. A intenção é desenvolver novas iniciativas sob esse guarda-chuva, unindo esforços com outras instituições para potencializar o impacto no setor.
B3
Diversidade é uma pauta ESG ou uma vantagem competitiva?
Flávia Mouta, B3- Eu diria que são as duas coisas. Diversidade é, sem dúvida, um pilar importante de ESG, mas na prática ela também se traduz em vantagem competitiva. Ambientes diversos ampliam perspectivas, melhoram a tomada de decisão e fortalecem a capacidade de inovação. Na B3, tratamos essa agenda como estratégica, porque sabemos que empresas mais diversas tendem a performar melhor no longo prazo. Temos um compromisso com a Diversidade, Equidade e Inclusão, que está presente tanto na gestão interna de nossas pessoas como no relacionamento com a sociedade. Temos um duplo chapéu, como empresa listada queremos promover um ambiente interno inclusivo, que potencialize a performance de todas as nossas pessoas e, como infraestrutura de mercado, atuamos como indutora de boas práticas. Acreditamos que o nosso exemplo tem o potencial de incentivar outras empresas nessa trilha. Um dos exemplos nessa linha é o Anexo ASG, um regulamento que incentiva as empresas listadas, ou aquelas que desejam se listar na Bolsa de Valores, a aumentarem a diversidade em diretoria e conselhos de administração.
Empresas com mais mulheres na gestão criam mais valor para acionistas?
Flávia Mouta, B3- A diversidade na liderança está diretamente relacionada à geração de valor. Equipes diversas tendem a ter visões mais complementares, o que melhora a qualidade das decisões e a gestão de riscos.
Na B3, a enxergamos a diversidade como um elemento estruturante de performance. Não é apenas uma agenda de representatividade, é uma agenda de negócio. Hoje temos 35% de mulheres em posições de liderança e seguimos avançando porque entendemos que isso contribui diretamente para a qualidade da gestão e, consequentemente, para a criação de valor para todos os nossos stakeholders.
Considerando que existe uma forma feminina de enxergar risco e oportunidade, como trazer as mulheres para a bolsa como investidoras?
Flávia Mouta, B3 – O principal caminho passa por educação e acesso. Atualmente, as mulheres correspondem a 26% dos investidores na bolsa, o que representa cerca de 1,7 milhão de investidoras.
Na B3, atuamos para tornar o mercado mais próximo e acessível, com iniciativas como cursos, podcasts, eventos e conteúdo que conectam finanças a temas do cotidiano das pessoas. Quando o tema deixa de ser técnico e distante e passa a fazer sentido na vida real, mais mulheres se sentem confiantes para participar, e isso tem impacto direto na inclusão financeira e no desenvolvimento do país.
O podcast “O que tem na sua carteira?” , por exemplo, traz conversas sobre finanças, empreendedorismo, carreira e investimentos a partir da vida real das mulheres, tornando temas muitas vezes vistos como complexos em conteúdos mais acessíveis, humanos e próximos do dia a dia. O programa ficou em primeiro lugar entre os TOP Podcasts Brasil no Spotify no ano passado, atingindo 2,5 milhões de views em episódios completos.
O que falta para mais mulheres liderarem o mercado financeiro a exemplo do que ocorre na Opea?
Flávia Mouta, B3- É necessária uma combinação de fatores, é preciso ampliar o acesso a oportunidades, dar visibilidade a referências femininas e também garantir ambientes mais inclusivos. Também há um papel importante dos agentes do mercado em acelerar essa agenda, porque quanto mais mulheres ocupam espaços de liderança, mais esse movimento ganha escala e se retroalimenta.
Na B3, atuamos em todo o ciclo, desde a atração até o desenvolvimento de mulheres, com programas especializados, para aumentar a representatividade e reduzir barreiras.
Assessoria Imprensa
Tree Com
Renan Araújo