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O setor de TI, a aceleração digital e suas oportunidades

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Entrevista com o CEO da everis Brasil Ricardo Neves.

Acionista – A everis atua em 17 países, faturou € 1,5 bilhões em 2020 e tem mais de 27 mil profissionais na Europa, nos EUA e na América Latina. Como o senhor, como CEO da everis Brasil, vê o momento atual e as perspectivas do setor de Tecnologia de Informação (TI) em nosso País?

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O momento atual é de aquecimento do setor de TI e as perspectivas no Brasil são muito positivas, tanto para empresas quanto para empregados e prestadores de serviços. A pandemia COVID-19 impulsionou a transformação digital que já se desenvolvia em muitas organizações, acelerando-a. Em nosso setor, os negócios estão aquecidos e isso tende a perdurar nos próximos anos. Infelizmente, a economia não tem se comportado de modo homogêneo, a pandemia tem prejudicado vários segmentos e empresas de todos os tamanhos; ao mesmo tempo, muitas empresas têm resistido bem, demonstrado resiliência, e isto é positivo. Para quem resiste, há aumentos concretos de produtividade, e a TI tem participação no bom desempenho. Com o esperado controle da pandemia, as oportunidades de negócios crescerão no nosso setor e em outros.

Acionista – Por quê mesmo haveria tal crescimento? O que poderia ocorrer com os mercados consumidores?

Paralelamente à forte aceleração da transformação digital, a pandemia COVID-19 mudou o modo de pensar de muitas pessoas, interferiu em sua forma de ver a vida. Além de milhões de seres humanos terem passado a se servir mais ou muito mais do mundo digital e de suas ferramentas, boa parte das pessoas pretende adotar novas práticas de vida, quando a pandemia estiver controlada, a partir da vacinação. Acreditamos que 2022 é o começo efetivo desse movimento e que esta década talvez seja conhecida no futuro como loucos anos 20. Muitas pessoas procurarão compensar o que deixaram de viver ao longo da pandemia, com mais viagens e vida cultural, por exemplo; ao mesmo tempo, elas manterão novas práticas adotadas, como as compras on line, que facilitam a vida, e o aprendizado à distância, em várias frentes. Aliás, o ensino à distância democratiza o conhecimento e é uma bela contribuição à redução das disparidades sociais. Mas as empresas de TI certamente farão mais pela sociedade e pelas pessoas, pois muitas delas estão inseridas em um movimento global em prol de um bom desempenho de ESG (Enviromental, Social, Governance) e da sustentabilidade.  

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Acionista – Sobre empregos e empregados, quais são as boas notícias relacionadas ao setor de TI, no qual o senhor atua como CEO da everis Brasil?

As empresas do setor de TI são muito, muito dependentes de talentos, de pessoas capacitadas. Costumo dizer que TI precisa de pessoas para entender e bem servir a outras pessoas. Somos, no fundo, servidores de seres humanos, inclusive quando atuamos para facilitar as operações de empresas clientes. E em um contexto de aquecimento do mercado de TI, mesmo tendo o Brasil cerca de 14 milhões de desempregados – e esta é uma estatística que lamentamos citar –, as oportunidades profissionais no setor são muitas. De acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), em 2024, o déficit de profissionais de TI qualificados poderá alcançar impressionantes 260 mil vagas. Isto considerando a oferta de empregos no setor, vis-à-vis da capacidade de formação de alunos em nosso País. É um número muito elevado, e não é possível, portanto, ver esta projeção, na qual confiamos e, simplesmente, cruzar os braços.

Acionista – Sendo assim, quais providências as empresas do setor de TI têm tomado para contar com profissionais bem qualificados?

Diante de um quadro de grande carência de profissionais qualificados, empresas não podem esperar e não têm esperado ações do governo em prol de educação e capacitação. Por esse motivo, temos patrocinado estudos para profissionais, de maneira que eles se formem e se tornem mais qualificados, por meio de parcerias, como a com a Digital Innovation One, plataforma de educação on-line de tecnologia e desenvolvimento de softwares para conectar oportunidades de trabalho e lançar programas de treinamento gratuito. A plataforma é focada em tecnologia e na capacitação de talentos para TI.

Acionista – Qual é a sua visão sobre a busca da diversidade nas organizações? Em que ela agrega valor?

Atualmente, contamos no Brasil mais de 4.000 profissionais. Entre estes, por exemplo, 56 são pessoas com idade superior a 65 anos, sendo que alguns foram contratados durante a pandemia; há um programador com a idade de 71 anos. Em um contexto de aceleração digital, precisamos de talentos, simples assim. Mas diversidade não significa apenas integrar pessoas com idades muito distintas. Como tal, em outubro de 2020, a everis lançou uma Academia de Talentos para formar Devs, com 15 mil bolsas de estudos. Trata-se de um projeto que incentiva a participação feminina, da comunidade LGBTQI+, de pessoas com deficiência, afrodescendentes e outras etnias. Esperamos, neste esforço, reforçar nossos quadros com mais pessoas capacitadas e diversas. A diversidade agrega valor por ampliar o estoque de talento e visões distintas nas organizações.

Acionista – A desigualdade social foi acentuada pela pandemia COVID-19, em âmbito global, inclusive. Como as empresas do seu setor podem contribuir, no bojo das oportunidades existentes, para reduzir a desigualdade?

Uma das principais contribuições das empresas do setor de TI – e de todas as empresas da economia, de modo geral – à sociedade em que atuam é a responsabilidade social. Nosso Relatório ESG de 2020 contempla uma boa gama de temas: diversidade, ética, corrupção, compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS´s) da ONU e outros. Afinal, as pessoas cada vez procuram empresas que tenham reais propósitos. E os investidores também exigem comprometimento com fundamentos éticos. Lembro também que é graças à TI que, atualmente, milhões de pessoas podem acessar capacitação e conhecimento à distância. A internet e as múltiplas ferramentas criadas pelos empreendedores de TI não só democratizaram o acesso ao conhecimento, como também derrubaram os custos desse aprendizado. Estas duas dimensões contribuem tremendamente para reduzir uma parte das distâncias sociais: uma pessoa residente em um estado de nosso País, pode, por exemplo, acessar treinamentos em outro estado, criando novas oportunidades e mudando suas vidas.

Acionista – Finalizando, em sua opinião, temas como ESG e sustentabilidade entre outros já passaram do ponto de modismo para serem realmente introjetados pelas empresas?

Para várias empresas, isso pode ser considerado verdadeiro. Ao mesmo tempo, este é um tema que, apesar de ser uma tendência global, tem realidades regionais distintas. Os estágios dos vários países, setores e empresas são distintos entre si. Creio que já caminhamos muito, porém ainda há um longo caminho pela frente para muitos. Orgulho-me de atuar em grupo econômico que amplamente incorporou estes e outros bons conceitos ao seu modo de atuar, o que é inequivocamente demonstrado em nosso Relatório ESG de 2020, já citado, onde relatamos nosso compromisso com práticas de respeito ao meio ambiente, com a sociedade e com a governança corporativa. Neste Relatório, seguimos as regras do Global Reporting Initiative (GRI). E estamos alinhados com a Agenda 2030 da ONU, pois nos integramos a esse grande pacto, de cunho global. Assim, sendo, acreditamos estar fazendo a nossa parte em prol das gerações presentes e futuras.

___________

Nosso entrevistado Ricardo Neves é CEO da everis Brasil. Bacharel em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, o executivo tem MBA Executivo Global da Duke University Fuqua, é formado pelo Programa de Gestão Avançada da Harvard Business School, certificado como Project Manager Professional (PMP) e também Certified Outsourcing Professional (COP), pela Associação Internacional de Profissionais de Terceirização (IAOP). Escreve no blog da HSM, referência internacional em gestão e negócios.

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Cida Hess e Mônica Brandão

Cida Hess e Mônica Brandão

CIDA HESS: Economista e contadora,especialista em finanças e estratégia. Mestre em Contábeis pela PUC/SP, doutoranda pela UNIP/SP. Atua como executiva e consultora de organizações. [email protected] / MÔNICA BRANDÃO: Engenheira, especialista em finanças e governança corporativa. Mestre em Administração pela PUC/MINAS. Atua como executiva, conselheira de organizações e professora. [email protected]

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