Lições de crises globais anteriores têm minimizado os efeitos da COVID-19?

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A humanidade passou por diversas crises, tanto sanitárias, quanto econômico-financeiras, como de confiança e disputa de poder. A partir do século XX, anotamos as seguintes, não exaustivas:

  1. Gripe Espanhola – de 1918 a 1919;
  2. Quebra da bolsa de NY – 1929;
  3. Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
  4. Guerra Fria (1947-1991);
  5. Vírus Ebola (1976);
  6. HIV (1984 até os dias de hoje);
  7. Atentados de 11 de setembro de 2001;
  8. Crise de confiança nas informações das demonstrações financeiras (2001);
  9. Síndrome Respiratória Aguda Grave – SARS (2002);
  10. Crise financeira global de 2008; e,
  11. Gripe suína (2009).

Cada uma dessas crises causou profundos sofrimentos na humanidade, rupturas econômico-financeiras e desconfiança na capacidade dos governos, órgãos reguladores e corporações de reagirem e conterem os efeitos nefastos das mesmas.

Ainda que se constatem tantos impactos negativos e irreversíveis causados pelas mortes de origem sanitária ou de disputa pelo poder, destruições de países, investimentos bélicos, ainda assim é possível extrair lições, que poderiam e podem ser implementadas em situações críticas e de crise, como a pandemia COVID-19, cujos efeitos além de sanitários, causaram consequências econômico-financeiras e políticas que permanecerão por muitos anos. Desta forma, perguntamos:

Quais são as principais lições das crises anteriores, sem serem exaustivas?

São elas:

  1. Desenvolvimento e aceleração da ciência, com investimentos intensivos no aprofundamento das pesquisas e estudos biomedicinais, objetivando eliminar ou diminuir drasticamente os efeitos principalmente das crises sanitárias. Este movimento pode ser comprovado através do desenvolvimento de diversas vacinas da COVID-19 pelos centros de pesquisa internacionais, inclusive com acordos entre eles. As vacinas já estão sendo aplicadas, obedecendo a uma ordem de prioridade e com relatos e exemplos da organização do Brasil.
  • Implantação de rigorosos protocolos sanitários, que impediram e ainda impedem o aumento da incidência das doenças. Governos determinaram por lei a adaptação das instituições com a obrigatoriedade de disponibilidade de equipamentos necessários e a restrição de quantidade de pessoas para transitar nos locais. Sabemos que, na pandemia, o cumprimento das leis pode ter sido falho, mas para os locais que seguiram as exigências sanitárias houve menor contaminação, o que pode ser comprovado pelas estatísticas divulgadas amplamente. Ademais, inclusive o afrouxamento no atendimento às exigências da legislação causou um significativo aumento da contaminação e a decretação de uma nova onda da COVID-19.
  • Maior solidariedade, senso de coletividade, aflorando nas corporações, que movimentam a economia dos países, a responsabilidade social com seus profissionais, fornecedores, governo, atingindo toda a cadeia produtiva internacional. Ações que permitiram a sobrevivência de profissionais no mercado, dos próprios protagonistas da cadeira de valor das indústrias e prestadoras de serviços. Esse senso de coletividade vai além das fronteiras dos estados nacionais, pois inclui as iniciativas de cooperação internacional.
  • Fortalecimento dos controles das operações de valores mobiliários, regulações da economia de mercado, divulgações de informações econômico-financeiras, através da criação, implantação, fiscalização e punição pelos órgãos competentes, para garantia do cumprimento das regras estabelecidas, permitindo também a comparabilidade entre setores, grupos e economia global. Tudo ficou tão integrado, que, além da exigência de implantação de leis internacionais, foi possível a obtenção das informações de todos os países em tempo real.
  • Soluções diplomáticas, através do monitoramento e maior segurança em relação ao trânsito de pessoas entre os países, no próprio país, entre estados e cidades. Os cidadãos, diante do risco de contaminação da COVID-19, atenderam, de certa forma, as medidas de vigilância impostas.
  • Intensificação do debate e da participação de países desenvolvidos e em desenvolvimento para solucionar as crises de forma conjunta.
  • Aprendizado dos erros cometidos no passado para minimizar ou mesmo anular e impedir efeitos de novas crises.
  • Aceleração das inovações tecnológicas em resposta aos conflitos o que possibilitaram o desenvolvimento de soluções de telecomunicações, comunicação virtual e utilização da rede de informações, através da internet. O mundo se beneficiou com os resultados dos avanços tecnológicos.
  • Maior conscientização sobre a importância do saneamento básico para a redução das doenças nas classes menos favorecidas.

Tais lições foram colocadas em prática para eliminar ou minimizar o surgimento de novas crises?

Diante dos fatos históricos, podemos afirmar que nem todo o aprendizado foi absorvido e colocado em prática, pois os conflitos permaneceram, inclusive após a Primeira Guerra Mundial, em que se pensava que o mundo passaria por um longo período de paz. Como se viu, veio a Segunda Guerra Mundial e muitos outros conflitos a posteriori.

Isso não impediu o mundo de se beneficiar com a inovação tecnológica e o desenvolvimento da ciência, que foram extremamente acelerados como soluções para as crises.

Por fim, acreditamos no potencial de prevenção da COVID-19 pelas vacinas e na capacidade do Brasil em organizar este processo, que se iniciou como modelo internacional. Cumpre empreender.

Cida Hess e Mônica Brandão

Cida Hess e Mônica Brandão

CIDA HESS: Economista e contadora,especialista em finanças e estratégia. Mestre em Contábeis pela PUC/SP, doutoranda pela UNIP/SP. Atua como executiva e consultora de organizações. [email protected] / MÔNICA BRANDÃO: Engenheira, especialista em finanças e governança corporativa. Mestre em Administração pela PUC/MINAS. Atua como executiva, conselheira de organizações e professora. [email protected]

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