Brasil e China deram mais um passo para estreitar sua relação estratégica ao assinarem 37 acordos comerciais na última quarta-feira (20) durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Palácio do Alvorada.
As parcerias abrangem áreas como agricultura, intercâmbio educacional, cooperação tecnológica e infraestrutura, fortalecendo a posição da China como maior parceira comercial do Brasil desde 2007.
Apesar do avanço nas relações bilaterais, o governo brasileiro decidiu não aderir formalmente à Iniciativa Cinturão e Rota, também conhecida como Nova Rota da Seda.
O programa, uma das maiores estratégias de expansão internacional da China, tem como objetivo financiar grandes obras de infraestrutura ao redor do mundo, mas é visto como parte de um movimento geopolítico que o Brasil preferiu não abraçar integralmente.
Parceria estratégica para o futuro
Após a reunião com Xi Jinping, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou a elevação da parceria estratégica entre os dois países a um novo nível, batizado de “comunidade de futuro compartilhado por um mundo mais justo e sustentável”.
Lula enfatizou a importância de diversificar e ampliar a pauta comercial com a China, focando em quatro grandes eixos:
- Investimentos no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento);
- Obras de integração regional na América do Sul;
- Projetos de transição energética;
- Modernização do parque industrial brasileiro.
“Estamos determinados a alicerçar nossa cooperação pelos próximos 50 anos em áreas como infraestrutura sustentável, transição energética, inteligência artificial, economia digital, saúde e aeroespacial”, afirmou o presidente.
Investimentos bilaterais no acordo
Entre os destaques dos novos acordos está a aquisição de uma fábrica de processamento de carnes na China pela BRF, maior produtora de carne do mundo, com um investimento de US$ 80 milhões.
Além disso, empresas brasileiras como WEG, Suzano e Randon ampliaram sua participação no mercado chinês.
Xi Jinping, por sua vez, elogiou a parceria com o Brasil e reforçou o papel central do país na segurança alimentar da China e na cooperação em infraestrutura, como na construção de usinas hidrelétricas e ferrovias.
Por que o Brasil não aderiu à Nova Rota da Seda?
A decisão de não aderir ao programa em sua totalidade foi estratégica. O governo brasileiro acredita que já existem iniciativas em curso que atraem investimentos chineses sem a necessidade de se alinhar diretamente à geopolítica da Nova Rota da Seda.
Além dos tratados comerciais, Lula e Xi discutiram questões de governança global. O presidente brasileiro voltou a defender um sistema internacional mais justo, equitativo e sustentável.
Ambos os líderes ressaltaram a importância da resolução política para a guerra na Ucrânia, reforçando a convergência de visões em segurança internacional entre Brasil e China.