MANHÃ DO MERCADO: Tensão tecnológica, política e dados de emprego

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Terra

Cenário Externo

Tensão tecnológica, política e dados de emprego

Mercados:

Bolsas asiáticas encerram o pregão com viés predominantemente positivo, sem grandes destaques. Na zona do euro, ativos de risco ensaiam uma abertura favorável: o Stoxx 600, índice pan-europeu, opera com valorização próxima de 0,30%. Do outro lado do Atlântico, nos EUA, futuros esboçam movimentos similares ao apreciar ligeira valorização da de 0,04%, enquanto o dólar retoma a trajetória de valorização contra seus principais pares. O índice dólar sobre cerca de 0,20% até o momento. No plano das commodities, estas operam em terreno misto, com o preço do barril de petróleo subido cerca de 0,81%, sendo negociado em torno dos US$ 44,75/barril.

Manutenção de incertezas:

Ativos de risco globais iniciaram a semana com viés ligeiramente positivo, sustentando altas a despeito da manutenção dos riscos de cenário que se intensificaram na última 6ªfeira. Por um lado, as tensões entre China e EUA continuam em trajetória de escalada, com a imposição de novas sanções chinesas sobre 11 oficiais americanos. Por outro, as conversas em torno de um novo pacote de estímulo econômico nos EUA continuaram sem render frutos no Congresso americano. Frente a esta situação, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma série de ordens executivas de forma a estender partes do pacote vencido em julho, mesmo que em menor magnitude e por tempo determinado.

Retaliação chinesa:

O governo chinês anunciou sanções a uma lista de 11 políticos americanos nesta 2ªfeira, acusando os indivíduos de terem tomado atitudes errôneas ao interferir em assuntos relacionados à cidade de Hong Kong. A medida veio em resposta à sanção americana de 11 políticos chineses, inclusive a líder do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, como forma a condenar o que EUA estão enxergando como uma tentativa de acabar com a liberdade na região.

Trump age sozinho na falta de entendimento no Congresso:

Dentre os benefícios que serão estendidos pelos decretos assinados por Donald Trump estão o auxílio suplementar aos desempregados e o adiamento do pagamento de impostos sobre a folha de pagamentos de setembro até o fim do ano para salários de até US$ 8 mil por mês. Com relação aos benefícios designados aos desempregados, a medida prevê um aumento de US$ 400 semanais, US$ 200 a menos do que foi liberado com o pacote aprovado em março, movimento que está previsto para se sustentar por no máximo mais 2 meses. Assim, apesar de terem sido bem recebidas pelo mercado por não deixarem a economia desalentada por mais tempo; as medidas são insuficientes para substituir um pacote de gastos mais robusto que venha a ser apresentado pelo Congresso. Assim, as atenções devem continuar voltadas para os parlamentares americanos nos próximos dias.

Eleições americanas começam a dar as caras:

Novos desentendimentos entre China e Estados Unidos seguem dando tração à narrativa de que o governo de Donald Trump estaria “apertando o cerco” contra Pequim na tentativa de recuperar terreno nas pesquisas eleitorais. Além da pressão sendo feita em cima de Hong Kong — cidade cuja China se mostra determinada em reestabelecer o controle —, a recente proibição da atuação de empresas de software chinesas nos EUA promete elevar a temperatura entre as duas maiores economias do mundo. No pano de fundo, o embate eleitoral também parece estar atuando como agravante nas negociações por um novo pacote de estímulo econômico no Congresso americano. Nesta fronte, Trump já acusou seus adversários de quererem “fraudar as eleições” de novembro e baixar os decretos prometidos. Tendo estas questões em vista, a proximidade cada vez maior com as eleições promete uma maior turbulência no cenário. Vamos acompanhar…

Na agenda:

Como destaque nesta 2ªfeira, a confiança do investidor, medido pelo Instituto Sentix, voltou a apresentar uma melhora na leitura preliminar de agosto. Ao todo, as expectativas com o mercado de ações continuaram positivas, mesmo que acompanhadas por uma alta forte do ouro e do euro em julho. No restante da semana, o investidor Europeu ainda avalia o Índice Zew de confiança na economia (3ªfeira), a produção industrial em junho (4ªfeira) e mais uma estimativa preliminar do PIB no 2º trimestre de 2020 (6ªfeira). Enquanto isso, nos EUA, os principais indicadores da semana serão o número de novos pedidos de auxílio desemprego na semana finda no dia 8/10 (5ªfeira), as vendas no varejo e a produção industrial de julho (ambos na 6ªfeira). Na 5ªfeira à noite, o mercado ainda avalia uma série de indicadores de atividade chineses referentes ao mês de julho; em busca de novas pistas sobre o estado da 2ª maior economia global entrando no 2º semestre.

Cenário Brasil

Mídia e opositores contabilizam 100 mil mortes na conta de Bolsonaro

Repercussões das 100 mil mortes:

A ultrapassagem, no sábado (08/07) passado, de 100 mil óbitos confirmados como resultado da covid-19 no Brasil deu à mídia e aos críticos do governo um momento propicio para ressaltar a postura negacionista do presidente Bolsonaro frente a pandemia do coronavírus. No dia, o Jornal Nacional abriu o programa insinuando que o presidente poderia ser responsabilizado criminalmente por não cumprir o seu dever constitucional de zelar pela saúde dos brasileiros.

Críticos mudam o foco:

A Rede Globo não foi a única a marcar o atingimento do triste limiar com críticas ao presidente; boa parte do mundo político, com exceção dos aliados mais próximos do presidente, ressaltaram a relevância do número de mortos e culparam, de forma explicita ou implícita, a postura do presidente ante a crise sanitária. Movimentos cívicos, como o Somos70%, que surgiram durante o ápice da crise institucional entre o Planalto e os outros poderes, tentam manter relevante sua postura antigovernista mudando o foco dos ataques institucionais para a escalada da epidemia no Brasil. Para os opositores do presidente, esta alteração estratégica se tornou inevitável após sua guinada repentina de comportamento frente aos outros poderes e sua crescente popularidade registrada nas pesquisas.

Batalha de narrativas:

Durante a atual semana, o governo deve continuar se empenhado, com pouco êxito, para defender as declarações e ações do presidente durante crise sanitária. Felizmente para Bolsonaro, o atingimento de 100 mil mortes representa um divisor de águas de simbologia única. Além disso, em boa parte do Brasil, a escalda no número de casos e óbitos já dá sinais de estabilização – somente 4 dos 26 estados brasileiros ainda apresentam tendência altista nestas métricas.

Fluxo de notícias positivas deve reduzir pressão sobre o governo:

Na semana passada, SP, o epicentro da epidemia brasileira, permitiu o funcionamento de bares e restaurantes durante o período noturno. É um dos muitos exemplos do fluxo de notícias que aos poucos se altera a favor do governo. Olhando para o restante do ano e o início do ano que vem, a aquisição antecipada de um número expressivo de vacinas deve definir o legado da atuação do governo durante a crise sanitária.

Problemas estruturais:

É importante frisar que aqui abordamos o embate de narrativas que terá consequências políticas. A realidade é muito mais complexa e difícil de solucionar. Por mais que o presidente tenha feito declarações que subestimaram severidade da ameaça da covid-19 e participado de atos que causaram aglomerações, o Brasil sofre com uma série de problemas estruturais que tornam o país um perfeito incubador para o coronavírus. Quase metade dos brasileiros não tem acesso a esgoto tratado, 15% não tem água potável, mais de 11 milhões de brasileiros vivem em aglomerados subnormais (favelas) e o baixo nível educacional e socioeconômico do público dificulta a aderência a medidas de distanciamento social.

Mais detalhes sobre a reforma tributária:

Na semana passada, durante a sua participação na primeira audiência pública da reforma tributária; o ministro Paulo Guedes (Economia) prometeu antecipar, “nos próximos dias”, o restante dos envios do governo à reforma. A promessa foi uma reação aos vários parlamentares que expressaram insatisfação com a estratégia faseada de revelação do governo. É difícil imaginar que Guedes realmente cumprirá esta promessa, apresentando a íntegra de projetos que detalham, por exemplo, a reformulação das bandas do IR, os detalhes do IVA dual ou um texto que revela, de forma detalhada, a criação do novo imposto digital. Mesmo assim, a pressão exercida pelos parlamentares da comissão mista pode forçar o governo a botar mais cartas na mesa durante a presente semana.

Cerco se fecha em torno de Flávio:

Na semana passada, mais informações sobre a investigação do Ministério Público do RJ que miram o senador Flavio Bolsonaro foram vazadas à imprensa. Todas fortalecem as acusações de peculato e lavagem de dinheiro durante o mandato do então deputado estadual. A quebra do sigilo bancário do ex-assessor Fabricio Queiroz revelou depósitos feitos na conta da primeira-dama Michele Bolsonaro. O fim do recesso do Judiciário, que ocorreu no início do mês, também deve ajudar a manter a investigação no topo das manchetes, com eventuais julgamentos do STF em torno do assunto.

Na Agenda:

Como de costume, o Banco Central divulga o boletim Focus na manhã desta 2ªfeira (8h25), trazendo atualizações das projeções econômicas do mercado. Assim como no exterior, a semana conta com agenda econômica recheada com ata do Copom prevista para a 3ªfeira, vendas no varejo em junho para a 4ªfeira, volume de serviços na 5ªfeira e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, na 6ªfeira. A avaliação do restante das pesquisas setoriais de junho trará mais pistas sobre o tamanho da contração do PIB no 2º trimestre de 2020.

E os mercados hoje?

Ativos de risco globais iniciam a semana em tom ligeiramente positivo, em manhã que não trouxe mudanças relevantes ao cenário. No pano de fundo, o mercado já passa a avaliar as possíveis implicações que a chegada das eleições americanas terá sobre o relacionamento do país com a China e sobre as negociações em torno da extensão do pacote de estímulo econômico atualmente em discussão no Congresso. No Brasil, o registro de mais de 100 mil mortes pela covid-19 promove uma nova onda de críticas em cima do governo enquanto a reforma tributária segue sobre o escrutínio de parlamentares. Ao longo da semana, a volta dos trabalhos no judiciário já promete trazer novas dores de cabeça ao governo; após mais informações sobre investigação do Ministério Público do RJ que miram o senador Flavio Bolsonaro foram vazadas à imprensa. Na agenda, dados de atividade de junho trazem mais pistas sobre o tamanho do estrago na economia durante o 2º trimestre de 2020. Assim, esperamos uma sessão de viés neutro/negativo para ativos de risco brasileiros, na falta de drivers positivos relevantes no cenário local.

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