Um mar de descaso

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email

São 325 mil toneladas de plástico atiradas ao mar, por ano. E isto só por obra de brasileiros. Em aritmética simples, dá quase 1.000 toneladas por dia. Além de engasgar – e matar! – parte da fauna marinha, prejudica exponencialmente (e em alguns casos de forma irreversível) ecossistemas inteiros.

Imagine que os números oficiais estejam subestimados, em se tratando de Brasil – por várias razões, que agora não convém entrarmos. Imagine mais: que o assustador volume divulgado é “apenas” o que aparece a olho nu; não se considerando peças robustas que podem afundar e ficarem presas em local distante da observação comum, os microplásticos que vão se misturar a corais e aparecer na barriga dos peixes que a eles conseguem sobreviver. Desconsidere, também, as tintas que vã

o se desprender e os metais pesados a estes misturados na confecção dos produtos quando em uso na terra. Esqueça, por ora, os testes nucleares e artefatos atômicos afundados.

Desconsidere tudo o que você achar irrelevante, mas pense que podemos, todos, transformar esse mar de descaso em um mar de oportunidades. Na pessoa física é possível se fazer vários trabalhos voluntários e na jurídica por que não se pensar em indicar um (a) biólogo (a) marinho (a) ou oceanógrafo (a) para o Conselho? As organizações modernas não buscam sempre uma visão sistêmica para detectar oportunidades e desenvolver produtos e serviços?

Em tom otimista, vamos conjecturar: ainda pode dar tempo de revertermos esta perigosíssima lata de lixo, disposta em mar aberto, em um privilegiado espaço produtor de alimentos e vida.

ICO2

A B3 divulgou a nova carteira do seu Índice de Carbono Eficiente (ICO2), dia 4 de janeiro, com validade até 30 de abril próximo. São ao todo 58 companhias listadas, entre papeleira, frigoríficos, produtoras de energia elétrica e de petróleo, entre outras.

“Nesse meio tem empresa altamente poluidora que só está lá porque fez o inventário de carbono e isto não é mérito”, criticou Fábio Alperowitch, da Fama Investimentos, pela rede social Linkedin.

CRITÉRIO

O Índice de Carbono Eficiente (ICO2) é desenvolvido em parceria da B3 com o BNDES, tendo por base as empresas participantes do IBrX50 que adotaram políticas transparentes em relação a suas emissões de gases do efeito estufa.

Além das emissões, o índice leva em consideração o free float. As integrantes do ICO2 precisam se apresentar voluntariamente para integrá-lo e preencher os requisitos estabelecidos. Companhias em recuperação judicial ou sob regime de intervenção não participam.

PERFORMANCE

As companhias no ICO2 representam 22 setores da economia e, juntas, somam R$ 3,3 TRI, ou seja, 63,63% do valor total de mercado das companhias negociadas na B3. Na carteira anterior compunham o índice 25 companhias, de 13 setores. Água, saneamento e serviços médicos são alguns dos novos setores representados. Desde que foi criado, o ICO2 apresentou performance de 153,85%, contra 82,69% do Ibovespa (fechamento em 31 de dezembro 2020).

DEPILAÇÃO

A Espaçolaser, considerada a maior rede de clínicas de depilação do país, tem pedido registrado na CVM para abrir o capital.  Fatura R$ 1,2 BI, com 550 lojas espalhadas pelo país.

Ideia é se capitalizar em um IPO para agredir ainda mais o mercado e aumentar a base de franqueados.

CHOQUE

A Cemig entrou em choque com a Light e resolveu se desfazer de 68,6 milhões de ações naquela companhia. A oferta deverá render mais de R$ 3 BI para o caixa mineiro.

START UP

Aprovado em dezembro último, na Câmara, o Projeto de Lei 146/19 agora segue para o Senado, estabelecendo o Marco Legal das Startups.  

Se aprovado, investidores PF e PJ poderão participar desse tipo de empresa, gerando novos modelos de negócio para a economia nacional. É pensamento no Congresso que o investidor tenha apenas o risco do capital investido, ficando isento de possíveis dívidas/má gestão dessas empresas, já que não precisará participar da administração para investir.

De acordo com a Associação Brasileira de Startups, há 10 anos o Brasil tinha apenas 600 empresas; hoje são 13.378.

AVANÇO

O Banco Mercantil do Brasil melhora a governança e parte pra cima do mercado, visando o crescimento.

Na primeira semana do ano a B3 anunciou as negociações das ações ordinárias e preferenciais do MB, no segmento especial Nível 1.

RESULTADOS

O Bradesco anunciará seus resultados no próximo dia 3, logo após o fechamento do mercado.

No dia seguinte, 4, fará teleconferência com os stakeholders para explicar os números.  

ESTRATÉGIA

O IRB-Brasil selecionou uma consultoria empresarial para assessorar a companhia em sua revisão estratégica. Em nota distribuída, reconhece que o foco da revisão deverá ser baseado na transparência e qualidade da informação.

REFORÇO

O executivo Roger Nickhorn é o novo gerente de Relações com Investidores da Dimed. A companhia, que pretende se aproximar mais do mercado, fez a escolha de profissional qualificado e respeitado no meio.

Além de conhecer finanças e a área de RI, sabe muito do setor de saúde também.

CONFLITOS

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, assinaram Acordo de Cooperação permitindo que a autarquia tenha acesso à plataforma de solução alternativa de conflitos (consumidor.gov.br).

Segundo a CVM, iniciativa tem por objetivo aumentar a proteção dos investidores no mercado. Exemplo: o mecanismo desta plataforma detecta mais rapidamente indícios de pirâmides financeiras.

MULHER

As mulheres goianas saíram à luta. O percentual de empresas em Goiás (de acordo com a Junta Comercial do estado) que têm mulher em sua constituição saltou de 19%, em 2019, para 38%, em 2020. Em números, esses 38% equivalem a 10.065 empresas.

BDRs

Dezembro último bateu recorde em negociação de BDRs. Com a B3 liberando acesso a todos investidores a esses papéis, desde outubro passado, os volumes só cresceram – registra a Economática.

Até setembro (2020) a quantidade não ultrapassava 60 mil transações. Em outubro o volume saltou para 207 mil e em novembro foi para 472 mil (em números redondos).

No último dezembro os BDRs geraram 522.120 negócios.  

SEGUROS

Desde 4 de janeiro, primeiro dia útil do ano, o grupo Sompo Holdings tem um novo CEO no Brasil. É Alfredo Lalia Neto, executivo com experiência de 27 anos na área de seguros, prometendo “crescimento sustentável e lucrativo juntos”.


ARTIGO

Boa governança: o ativo de 2021

(*) Tatiana Maia Lins

2020 foi o ano que ninguém esquecerá. Um ano de incertezas, de mudanças de paradigmas, de crise. Houve muita transformação digital. O mundo pareceu completamente novo. Mas um aspecto permaneceu igual: como nas grandes crises que conhecemos, a governança capaz de alinhar as expectativas dos stakeholders assumiu papel ainda mais estratégico e ditou a reputação. Foi assim que aconteceu quando o mundo vivenciou a Grande Depressão, foi assim quando o mundo passou pela Segunda Guerra Mundial. Foi assim agora durante o isolamento causado pela pandemia de Covid-19 e já tinha sido assim no Brasil após as denúncias da Lava-Jato. E por que isto sempre acontece? Porque a boa governança gera algo muito demandado durante períodos de crise: confiança. 

Uma pesquisa realizada pela The RepTrak Company mostrou que o peso da governança para a reputação de uma empresa no Brasil durante os primeiros meses da pandemia chegou a 18,5% do total, sendo o item com maior impacto. Em 2007, como comparação, a contribuição da governança para a reputação era de 13,8%. Para a nota de reputação, dentro do pilar “governança”, são avaliadas as percepções das pessoas sobre se a empresa é justa e responsável, se tem comportamento ético e se é transparente. A The RepTrak Company também constatou que a agenda ESG está relacionada à maior intenção de compra dos produtos por parte dos consumidores, à maior chance de recomendação e a laços mais sólidos de confiança. 

As pesquisas do Grupo Caliber também mostraram a força da governança para a reputação. Integridade foi o item com maior peso na pesquisa Global Pharma Study 2020, com 14%, enquanto o Global Financial Study, de 2019, já tinha mostrado que integridade era o item de maior importância para pessoas de diferentes gerações, dos millennials até os nascidos no pós-guerra. 

Em um mundo que vive a expectativa do reaquecimento da economia após a vacina contra a Covid-19, acredito que a boa governança será o ativo mais importante que uma empresa pode ter neste ano de 2021. Minha aposta na governança se dá pela sua transversalidade em quase todos os outros atributos de valor para a reputação de uma empresa. A percepção de justiça impacta o juízo de valor que as pessoas fazem para determinar a relação custo benefício de um produto ou serviço. O preço é justo? O ativismo é justo ou a empresa está tentando ganhar a simpatia das pessoas sem uma contrapartida relevante? As relações de trabalho e com fornecedores são justas? A inovação é ética e focada na geração de valor para todos ou visa apenas a ganância de lucros financeiros maiores? 

A grande questão é: como comunicar boa governança para fortalecer a reputação e garantir a perenidade dos negócios neste momento de crise, se governança é um conceito tão sofisticado e longe do alcance de entendimento de pessoas que não fazem parte do universo empresarial? 

Minha sugestão é aproximar o máximo possível as narrativas às realidades das pessoas. Mostrar o impacto das decisões no dia a dia da comunidade onde a empresa está inserida. Descrever o valor que é compartilhado com todos por meio de negócios éticos, transparentes e justos.  Afinal, o que faz sentir faz sentido. Feliz Ano Novo! 

(*) Tatiana Maia Lins é consultora em reputação corporativa, fundadora da Makemake – A casa da Reputação e editora da Revista da Reputação. Professora de Relações com o Mercado e com Investidores do Master em Comunicação Empresarial Transmídia da ESPM e do curso “Reputação para Competitividade” da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial – Aberje.

Se inscreva para ser notificado quando um novo post for publicado.

Além de diversos conteúdos do mercado financeiro em um lugar para você ler, comparar e decidir.

Nelson Tucci

Nelson Tucci

Repórter em veículos como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, atuou também como apresentador do programa ECO Negócios, na ECO TV. É MBA em Comunicação e Relações com Investidores e diretor na Virtual Comunicação.

Você pode se interessar por

Publicidade

Receba notícias pelo Telegram

Leia também

Tire dúvidas sobre investimentos

Últimas atualizações sobre

Advertência

Declaramos que o Portal Acionista.com.br não se responsabiliza pelas informações divulgadas neste site e qualquer outro canal, tanto referente às matérias de produção própria , quanto matérias ou análises produzidas por terceiros ou reproduzidas de links autorizados, publicados nas nossas páginas a partir de uma seleção criteriosa, porém sem garantir sua integralidade e exatidão.
Matérias e  análises produzidas por terceiros são de inteira responsabilidade dos mesmos. As informações, opiniões, sugestões, estimativas ou projeções referem-se a data presente e estão sujeitas à mudanças conforme as condições do mercado, sem prévio aviso.
Informamos, ainda, que o Acionista.com.br não faz qualquer recomendação de investimento e que, portanto, não se responsabiliza por perdas, danos, custos e lucros cessantes decorrentes de operações financeiras de qualquer tipo, enfatizando que as decisões sobre investimentos são pessoais.
Importante lembrar sempre: ganhos passados, não são garantia de ganhos futuros.

Fique por dentro

Se inscreva para ser notificado quando um novo post for publicado.

Além de diversos conteúdos do mercado financeiro em um lugar para você ler, comparar e decidir.

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.