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Quanto mais caro é melhor?

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É muito comum termos a impressão de, aos no depararmos com um produto mais caro e um mais barato, acharmos que o mais caro será o melhor. Essa percepção ocorre por dois fatores: Termos a impressão de que o mais caro tem mais valor ou termos a simples conclusão de que o mais caro oferece a melhor qualidade.

Porém, entre o que é a nossa leitura e percepção de valor e o que é a verdade, há um abismo. Nossas ideias, pensamentos e emoções são reais eles acontecem, mas muitas vezes eles não fazem uma leitura honesta daquilo que é a realidade.

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Existem algumas histórias que relatam o como somos levados ao engano nessa leitura diante daquilo que tem valor. Eu vou trazer aqui duas delas de setores diferentes da economia. A primeira delas é de um enólogo. Para quem não é amante de vinhos, saiba que essa é a denominação dada ao crítico dessa bebida.

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Eu adoro vinhos e é bastante comum eu ouvir enólogos dizendo que entre um vinho de
R$30,00 e um vinho de R$60,00 pode haver uma diferença significativa. Mas entre um de R$60,00 e um de R$120,00 nem tanto. E essa relação só “piora”. Eles ainda defendem que a diferença entre um vinho de R$200,00 e um vinho de R$3.000,00 é tão sutil que pela experiencia de tomar um bom vinho sequer faria sentido comprar o de R$3.000,00.

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Nesse instante já veio uma curva na minha mente sobre a utilidade marginal que cada faixa de preço oferece. Traduzindo, percebi que ao passo que o preço de um determinado item aumenta, o benefício e qualidade a mais que ele oferece é cada vez menor. Um exemplo disso é essa história do vinho.

Certamente ao chegar no patamar de um vinho de R$5.000,00 pode-se dizer que o benefício adicional, se comparado ao de R$3.000,00, chega a ser alguma coisa próxima de zero. Se duvidar chega-se a um patamar onde os vinhos mais baratos são até melhores, mas como em torno do rótulo há alguma história, se cruza a linha da busca por qualidade e enxerga-se o produto como um item de valor.

Outro exemplo é o da indústria cosmética. Uma mesma fábrica de cosméticos pode ter rótulos com valores diferentes, mesmo que o conteúdo do cosmético seja o mesmo. Um exemplo disso é a linha Duda Molinos, onde o fabricante era a Vult, mas os produtos com o rótulo Duda Molinos apresentavam preços mais elevados.

Ainda na indústria cosmética, algumas marcas de shampoo já revelaram que o seu maior investimento está na embalagem, na fragrância e no marketing. Sendo assim um shampoo pode ser maravilhoso e ser bem mais barato que um shampoo com uma embalagem maravilhosa. O conteúdo não é o que vende, mas sim a percepção de valor.

Quando você visualiza um produto existem inúmeros fatores que envolvem a percepção de valor:

– O design que envolve toda parte visual, as cores, as formas;

– A história. Isso é muito percebido em grandes grifes e na indústria de bebidas.

– O posicionamento da marca: onde ela é vendida, quem usa aquela marca, qual movimento ela representa;

– O seu repertório de informações. O que você já viu ou ouviu sobre aquele produto.

Perceba que até aqui a qualidade do produto não foi citada. Isso porque não necessariamente o que nos transmite valor é algo de qualidade. Se você tiver os olhos bem atentos, perceberá que de fato muitas marcas famosas oferecem produtos de má qualidade e continuam vendendo da mesma forma.

Agora quando trazemos a questão da percepção de qualidade já entramos em tópicos como:

– Durabilidade, algumas marcas como a Lacoste e Victor Inox, são muito fortes nesse quesito;

– Conteúdo, o que vem de fato no conteúdo do produto, seja um cosmético, um curso, o material utilizado na fabricação de itens do vestuário;

– Benefícios, o diferencial entre um produto de alta e de baixa qualidade está nos benefícios que cada um oferece, muitas marcas são muito reconhecidas por entregar um benefício considerado “imbatível”, isso é bem comum na indústria cosmética;

– Veracidade. Qual a legitimidade do material e dos estudos envolvidos na elaboração daquele produto? Quanto maior a veracidade de que houve mesmo muito estudo e crivo na elaboração certamente a entrega será de maior qualidade se comparado a outros produtos.

Mas além das nossas percepções de valor e qualidade, tem um terceiro fator que pouco é levado em consideração que é: A verdade. A verdade diz respeito ao quanto de fato aquele produto foi capaz de melhorar a sua vida. Eu percebi que em inúmeros casos eu vivenciava uma mentira em relação ao valor que eu projetava em alguns produtos e experiências.

Em diversas vezes me vi em uma mania de buscar o mais caro sempre achando que seria o melhor, mal sabia eu que aquilo era uma armadilha. Nessa armadilha eu não conseguia perceber que o valor desembolsado a mais não era condizente com o benefício recebido a mais. Eu imaginei até um gráfico para isso, onde quanto maior o preço, menor o benefício a mais recebido até chegar um momento que o benefício é praticamente o mesmo. É como uma curva que vai ficando reta no final.

Uma verdade que só os empreendedores sabem é do quão complexo é um processo de precificação. Dar preço parece algo simples, mas não é. Existe todo um mecanismo de formação de valor em torno de um produto, de pesquisa de mercado e de alinhamento com o público para que um preço atenda bem o lado de quem compra e de quem vende. Mas acredite, nesse processo a qualidade e o benefício entregue não são os principais pilares para fazer com que o preço seja alto.

Nós somos seres humanos, precisamos de bens e serviços para não apenas sobreviver, mas também viver em sociedade. E quando estamos diante de uma situação de compra nos vemos muito inclinados a tomar uma decisão acreditando em alguma transformação que aquele produto proporcionará ou na ideia de que aquilo entregará uma experiência benéfica a nós. Porém os mecanismos que o mercado utiliza nos processos de precificação as vezes nos leva ao engano de acreditar que o que é mais caro necessariamente tem mais valor. Só que isso não é uma verdade, é apenas uma percepção que foi construída na nossa sociedade e que em termos práticos não necessariamente é assim.

E claro que, além disso, nós somos seres insaciáveis querendo cada vez mais e mais. Em algum dia você sonha em viajar para Europa. Quando você finalmente consegue, percebe que poderia ter ido de classe Executiva ou em uma Primeira Classe. E isso pode te levar a desmerecer a sua conquista, te levar a se sentir um pobre indo à Paris. Mas todos os passageiros serão levados ao mesmo destino.

Sempre haverá um patamar acima, mas esse patamar não necessariamente o entregará um benefício condizente com o preço cobrado a mais. E mesmo que você atinja os patamares mais superiores possíveis, talvez você mude completamente a sua percepção de valor em relação a eles.

Eu vou ficando por aqui, espero que tenham gostado e lembre-se que você é um ser humano e MERECE uma vida de alto padrão, equilibrada e feliz.

Um grande beijo e ‘vamo investir’!

Laura Pacheco

Laura Pacheco

Sou economista especializada em Finanças, trabalhei no mercado financeiro orientando profissionais de alta renda a sofisticarem suas decisões de investimento e atualmente atuo como educadora financeira. Através de cursos e palestras, mostro que investimento não só pode como deve fazer parte da rotina do cidadão brasileiro. Insta: @economistalaura

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