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Performance histórica dos IPOs no Brasil impõe maior risco aos acionistas

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Matérias por 1Bilhão – Educação Financeira; Fabrizio Gueratto; e Gueratto Press.

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Cerca de 60% das ações abertas em ofertas públicas iniciais (IPOs) esse ano se encontram em queda e estão a um valor mais baixo do que o inicial. 

O declínio no cenário econômico brasileiro, junto com as turbulências políticas recentes, acabaram esfriando a onda de ofertas públicas.

Vale lembrar que 2021 foi o ano dos IPOs, batendo recordes de estreias na Bolsa de Valores (B3). Isso porque foram abertos mais 47 ativos na B3 só anesse ano, um aumento considerado quando comparado com 2018, quando houve 36 aberturas de capital.

Entretanto, dentre todas as estreias na B3, 60% dos ativos se encontram em queda. Ou seja, negociam hoje a um preço menor do que o inicialmente ofertado.

Sendo assim, veja a seguir parte do artigo escrito por Luiz G. Menezes, Diretor de Linhas Financeiras da Marsh Brasil:

Gatilhos

O mercado americano é um benchmark global para o mercado de capitais, e uma análise das ações de classe (class actions) ocorridas naquele ambiente mostra que o principal gatilho foi exatamente a queda no preço das ações.

Acionistas insatisfeitos com a baixa performance dos papéis se unem e entram em litígio contra a empresa ofertante, alegando, entre outros motivos, assimetria de informações, ou inconsistências declaradas no prospecto inicial.

Ainda pouco difundido no Brasil, existe um seguro que cobre exatamente os riscos oriundos da ida ao mercado de capitais pelas empresas, chamado POSI, ou Public Offering Securities Insurance. Tal produto foi criado nos EUA há mais de 15 anos e é bastante utilizado pelas empresas por lá. Porém, devido à alta sinistralidade apresentada, não é mais comercializado pelas seguradoras do país.

Performance histórica dos IPOs no Brasil impõe maior risco aos acionistas
Ilustração IPOs

Cenário brasileiro

No Brasil, devido a um caráter menos litigioso do mercado, o produto permanece viável, pelo menos até o presente momento. Além disso, ele vem ganhando a atenção das empresas postulantes a uma oferta de ações. Nesse sentido, uma vez que a legislação brasileira prevê a responsabilidade dos executivos envolvidos no processo de oferta pública. Ainda assim, estimam que apenas 15% das empresas optaram pelo seguro POSI.

As principais coberturas do produto são os custos de defesa e qualquer responsabilidade relativa à oferta pública, incluindo processo de tomada de decisão, preparação, prospecto, declarações orais e roadshows, entre outras.

Dessa forma, utiliza-se a indenização tanto para arcar com os custos de defesa, quanto para cobrir quaisquer danos resultantes da reclamação contra a parte segurada. Em suma, um reaquecimento do mercado de IPOs é esperado, assim como melhores performances.


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