Modelos de negócios, estratégias e a qualidade do ativo empresa

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O artigo A grande importância da Área de Relações com Investidores para quem investe, publicado neste portal Acionista em outubro de 2020, tratou da qualidade do ativo empresa e mencionou grandes temas de interesse de analistas, profissionais de investimento e investidores que estudam uma dada organização empresarial.

Já no artigo Capital humano, sustentabilidade e a qualidade do ativo empresa, aqui publicado em novembro de 2020, tratamos do capital humano, da sustentabilidade e de sua importância na análise de empresas. Nestas breves reflexões, tratamos dos modelos de negócios e das estratégias, temas que integram a análise do ativo empresa. 

Os modelos de negócios

O que é um modelo de negócio? De modo resumido, é a descrição da lógica adotada por uma empresa para criar valor para o seu cliente. A descrição citada exige a análise de vários elementos do ambiente externo e interno da organização que operacionaliza um ou mais negócios. Entre os elementos citados, citamos a sociedade, o mercado, os clientes e a tecnologia; mas, obviamente, estes não são os únicos.

Compartilhamos um exemplo para que se possa melhor entender a importância de um modelo de negócio e dos elementos supracitados. Considere-se o caso do setor de relógios, no qual a indústria suíça tinha liderança. Tal indústria, mesmo com acesso à tecnologia dos relógios de quartzo, não conferiu à mesma, inicialmente, a devida importância. Ora, a concorrência japonesa avançou e qual foi o resultado? A destruição de empresas e empregos, até que a combalida indústria suíça se reinventou e, em boa medida, se recuperou.

Há variadas formas de descrever modelos de negócios, enfatizando-se aqui a Teoria do Negócio, proposta pelo professor Peter Drucker. Esta é uma das várias ferramentas de análise possíveis, por meio da qual se estabelecem diversas hipóteses sobre elementos como sociedade, mercado, cliente, tecnologia, missão da empresa e competências essenciais demandadas para que a missão seja alcançada. No exemplo dos relógios, supracitado, não se percebeu que uma premissa tecnológica havia sido violada e que a sociedade receberia de bom grado a novidade.

As estratégias

O que são estratégias? Genericamente, elas são caminhos de sucesso para que uma organização com um ou mais negócios alcançarem uma certa visão, construída por seus sócios e líderes, dentro de um horizonte de tempo considerado.

Novamente, cabe ilustrar o conceito. Se um grupo empresarial ou empresa atua no setor de serviços de saúde e deseja se tornar um dos principais líderes de seu setor em, digamos, 10 anos, necessitará de estratégias, isto é, de adotar caminhos para materializar essa visão.  Um caminho importante, poderia ser, por exemplo, aquisição de empresas menores, visando o crescimento. 

Há também que fazer a distinção entre estratégias corporativas e estratégias de negócios. As estratégias corporativas são, em geral, estratégias de holdings de negócios, as quais devem operar de uma forma tal que os negócios abrigados sob um mesmo comando operem muito melhor do que se tal coordenação não existisse.

Não menos importantes são as estratégias de negócios, que objetivam administrá-los de modo que estes contribuam para a visão construída para o grupo empresarial ou a empresa que se considera. E há variadas formas de estudar estratégias de negócios, como o modelo das forças competitivas proposto pelo professor Michael E. Porter, o modelo das forças (strengths), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats) à organização, o modelo das três disciplinas de valor dos professores Michael Treacy e Fred Wiersema, e o Balanced Scorecard (BSC), criado pelos professores Robert Kaplan e David Norton.

Os modelos de negócios, as estratégias e o trabalho de quem analisa empresas

Ferramentas como a Teoria do Negócio, os modelos das forças competitivas, das forças/fraquezas/oportunidades/ameaças, das três disciplinas e o Balanced Scorecard, não exaustivas, não são úteis apenas para empresas: elas podem também ajudar analistas, profissionais de investimentos e investidores interessados em melhor compreender fundamentos empresariais. Naturalmente, com os devidos ajustes e adaptações para quem vê a organização de fora para dentro.

Em suma, se as organizações dispõem de muitas ferramentas metodológicas de apoio aos seus modelos de negócios e estratégias, os agentes do mercado investidor também disporão de sua caixa de ferramentas, que os ajudará a melhor entender modelos de negócios e estratégias empresariais, de modo que possam melhor criticá-los. E mesmo que muitos desses agentes estejam na condição de outsiders, eles certamente terão muito a dizer aos dirigentes empresariais.

Destacamos brevemente os modelos de negócio sustentáveis, pois serão objeto de nosso próximo artigo. Os modelos de negócio evoluíram, em função da conscientização dos clientes, que demandam cada vez mais a incorporação da criação de valor para a sociedade e o compromisso com o meio ambiente, não só se limitando à criação de valor econômico, garantindo a lucratividade dos shareholders.  

Cida Hess e Mônica Brandão

Cida Hess e Mônica Brandão

CIDA HESS: Economista e contadora,especialista em finanças e estratégia. Mestre em Contábeis pela PUC/SP, doutoranda pela UNIP/SP. Atua como executiva e consultora de organizações. [email protected] / MÔNICA BRANDÃO: Engenheira, especialista em finanças e governança corporativa. Mestre em Administração pela PUC/MINAS. Atua como executiva, conselheira de organizações e professora. [email protected]

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