quinta-feira, abril 2, 2020

Modalmais: Um momento de Pullback

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Hoje, o dia começou novamente pesado para os mercados de risco em todo o mundo, exceção para a Bolsa de Xangai e Hong Kong que fecharam com altas. Os mercados da Europa já tinham encerrado, quando as Bolsas americanas registraram alguma reação e a Bovespa passou para o campo positivo. Esse mesmo caminho foi trilhado pelo dólar que depois de bater R$ 4,50, começou a arrefecer.

Esse é, por enquanto, um movimento típico do que chamamos de pullback, quando ainda que os mercados possam voltar a cair há alguma reação iniciada por compradores de ocasião. E aparentemente foi isso que ocorreu na sessão de hoje.

Nada ainda resolvido em termos de tendência de curto prazo ou redução da aversão ao risco, mas um movimento que deve ser interpretado nos próximos dias. Mas certamente o direcional será dado pela expansão ou não do coronavírus pelo mundo e em países chaves, ou ainda se a OMS decretar pandemia.

Também não existem respostas para os efeitos sobre a economia global. Sabemos que o primeiro trimestre pode estar um pouco comprometido em alguns países (claramente na China), mas não é possível estimar se há tempo para recuperações ainda em 2020. De qualquer forma, as projeções de crescimento vão mudando para pior, mas pode ser possível que bancos centrais atuem sobre a política monetária e governos iniciem novos estímulos fiscais (para quem tem folga fiscal). As apostas de que o FED possa baixar juros na reunião de março passou a ser majoritária.

Nos EUA, tivemos a segunda leitura do PIB do quarto trimestre com taxa anualizada de 2,1%, a inflação pelo PCE (deflator do consumo) ficou em 1,3% e as encomendas de bens duráveis encolheram 0,2% em janeiro, quando a previsão era de -1,50%. Os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior cresceram 8.000 posições para 219.000, acima do previsto e as vendas pendentes de imóveis de janeiro cresceram 5,2%, de esperada alta de 2%. O presidente do FED de Chicago admite que a inflação pode passar um tempo acima da meta de 2% para evitar viés de queda.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) registrou que a China tem 78.630 casos de infecção e 2.747 mortes, mas a preocupação maior é com a expansão externa, principalmente se atingir a África. Será preciso ação agressiva dos países. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 3,84%, com o barril cotado a US$ 46,86. O euro era transacionado em alta para US$ 1,099 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,30%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento majoritário de queda na Bolsa de Chicago.

No cenário doméstico, tivemos a divulgação do IGP-M de fevereiro com queda de 0,04% e deixando a inflação de 2020 em 0,44%. Em 12 meses a taxa está em 6,82%. O Banco Central anunciou que as concessões de crédito livre de janeiro encolheram 19,3%, a inadimplência média em alta 3,8%, sendo que na pessoa física caiu para 4,9%. O endividamento das famílias ficou em 45,1% e o estoque total de crédito atingiu R$ 3,46 trilhões com queda de 0,4%.

O Tesouro anunciou que a dívida pública de janeiro atingiu R$ 4,23 trilhões e o impacto de juros foi de R$ 39,3 bilhões. Os estrangeiros elevaram a posição comprada de títulos para 10,89% do total, com quedas dos títulos prefixados, alta dos indexados à inflação e a Selic. O custo médio da dívida ficou em 9,20%. Já o fluxo cambial de fevereiro até 21/2, estava negativo em US$ 2,32 bilhões e o saldo da balança comercial do ano estava ainda negativo em US$ 630 milhões.

No mercado, dia de queda dos DIs para os principais vencimentos e o dólar encerrando o dia com +0,79% e cotado a R$ 4,476, depois de bater R$ 4,50, mesmo com interferência do Bacen. Na Bovespa, na sessão de 21/2 os investidores estrangeiros sacaram recursos no montante de R$ 1,07 bilhão, deixando o saldo negativo de fevereiro em R$ 12,7 bilhões e o ano com saídas líquidas de R$ 31,8 bilhões, mas de 71% de tudo que foi retirado em 2019.

No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 3,50%, Paris com -3,19% e Frankfurt com -3,19%. Madri e Milão com quedas de respectivamente 3,44% e 2,66%. No mercado americano, o Dow Jones com -4,44% e Nasdaq com 4,61%. Na Bovespa, inversão da queda na parte da tarde para fechar novamente em queda de 2,59% e aos 102.983 pontos. A alta foi provocada pela notícia que Israel teria vacina contra o vírus em três meses, e a queda seguinte foi trazida pelo preço do petróleo caindo forte. Setor bancário foi o destaque positivo do dia, mas no final também pesou.

A agenda de amanhã está cheia de eventos com capacidade de mexer com os mercados. Sai a nota de política fiscal de janeiro, dados da PNAD contínua de janeiro, a confiança da indústria e serviços de fevereiro. Nos EUA, a renda e gasto pessoal de janeiro, o deflator PCE, a confiança do consumidor de Michigan e discursos de dirigentes do FED.
Alvaro Bandeira
Sócio e economista-chefe do banco digital Modalmais
Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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