Mercosul passa por crise e futuro é incerto

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email

Era para ser um ano de festa. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai completaram em março 30 anos da criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que juntou os quatro países em uma união aduaneira e de livre-comércio. As “bodas de pérola”, porém, foram celebradas com crise, pressão por mudanças e dúvidas em relação ao futuro do bloco.

“O comércio do Mercosul cresceu 500% de 1991 até 2000, quando houve crise cambial no Brasil e uma enorme crise econômica na Argentina. Temos de reconhecer que, nos últimos 20 anos, porém, o Mercosul esteve em relativa estagnação”, afirma o consultor e ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral.

Para Barral, os momentos em que o grupo teve maior evolução foram quando os governos, principalmente de Brasil e Argentina, gozaram de boa relação – como, por exemplo, entre o governo Michel Temer, no Brasil, e Maurício Macri, na Argentina, o que impulsionou a discussão do acordo entre o bloco e a União Europeia (UE), fechado já no início do governo Jair Bolsonaro. “Estamos com as duas questões negativas agora, na relação entre os governos e no crescimento”, afirma.

Na visão do gerente de Políticas de Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabrizio Panzini, o bloco não pode ser acusado de uma culpa que não tem. “O Mercosul tem problemas de estabilidade econômica, que é a chave para o crescimento.” Ele ressalta que, apesar de o Mercosul ter perdido destaque no comércio exterior brasileiro nos últimos anos, a pauta de exportação para os países do bloco é mais variada do que para a China, o principal parceiro comercial do Brasil. Os produtos vendidos para os parceiros sul-americanos têm valor agregado mais alto, que gera mais empregos e pagamento de tributos no Brasil. “Hoje, temos visões diferentes entre os países, o que pode levar a uma disruptura, paralisia ou a avanços muito moderados. Tratar o Mercosul como algo muito politizado é perder a racionalidade. O caminho é melhorar o bloco e a agenda da região”, disse.

Apesar de o ministro da Economia, Paulo Guedes, já ter dito que o Mercosul “não era uma prioridade”, a relação dentro do bloco “azedou” depois de os liberais brasileiros verem Alberto Fernández assumir o governo da segunda maior economia do grupo com uma política econômica oposta. Desde então, houve bate-boca entre o presidente argentino e uruguaio na cúpula de março e trocas de farpas entre Guedes e o ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, na segunda-feira. “Não é só uma questão ideológica. A Argentina hoje tem uma crise de dívida externa”, explica Barral.

A estratégia dos brasileiros agora é convencer os vizinhos a aceitarem que cada país adira às mudanças “quando e se” quiserem. “O ministro chegou a mencionar que, se quiserem daqui a quatro anos acompanhar o Brasil, os argentinos são bem-vindos”, disse o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Roberto Fendt.

Proposta

O Brasil apresentou sua proposta ao grupo esta semana: reduzir em 10% a tarifa externa comum (TEC) – cobrada no comércio com nações de fora do bloco – e permitir negociações individuais com outros países – a regra hoje é que a negociação de tarifa só pode ser feita em conjunto. O Uruguai concordou e o Paraguai, em termos. Aceitou a redução da TEC para 96% dos produtos, o que deixaria 4% de fora, e foi contra a flexibilização nas negociações de acordos.

A Argentina, porém, vetou as duas propostas e sugeriu a redução da TEC em 10,5% para apenas alguns produtos, basicamente insumos. Sem consenso, uma nova reunião foi marcada para maio. Para Barral, a pressão sobre a Argentina será grande neste ano, com um agravante: o Brasil assume por seis meses a presidência do bloco em julho.

Apesar das declarações fortes de Guedes e Fendt, a avaliação de especialistas é de que a saída do Brasil do bloco é improvável. Fendt chegou a dizer que “o Mercosul está afundando” e que o Brasil não quer “afundar junto”, mas negou veementemente a possibilidade de o País deixar o bloco. Barral avalia ser possível, mas não provável a separação, enquanto Panzini enfatiza os benefícios na manutenção do bloco e alerta para as consequências jurídicas de uma ruptura para o setor privado.

*As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Como podemos ajudar você?

Conheça o Clube Acionista, onde diversos relatórios você encontra em um só lugar.

Em nosso canal do Telegram você receberá as principais notícias que movimentam o mercado.

Na área O que comprar você acompanha diversas sugestões e atualizações.

Em nossas Assinaturas você pode conferir diversas recomendações, análises e conteúdos exclusivos.

Receba conteúdos diariamente por e-mail

Estadão Conteúdo

Estadão Conteúdo

"O Estado de S. Paulo" é o mais antigo dos jornais da cidade de São Paulo ainda em circulação . Em 4 de janeiro de 1875, ainda durante o Império, circulava pela primeira vez "A Província de S. Paulo" - seu nome original.

Você pode se interessar por

Publicidade

Receba notícias pelo Telegram

Leia também

Tire dúvidas sobre investimentos

Últimas atualizações sobre

Advertência

Declaramos que o Portal Acionista.com.br não se responsabiliza pelas informações divulgadas neste site e qualquer outro canal, tanto referente às matérias de produção própria , quanto matérias ou análises produzidas por terceiros ou reproduzidas de links autorizados, publicados nas nossas páginas a partir de uma seleção criteriosa, porém sem garantir sua integralidade e exatidão.
Matérias e  análises produzidas por terceiros são de inteira responsabilidade dos mesmos. As informações, opiniões, sugestões, estimativas ou projeções referem-se a data presente e estão sujeitas à mudanças conforme as condições do mercado, sem prévio aviso.
Informamos, ainda, que o Acionista.com.br não faz qualquer recomendação de investimento e que, portanto, não se responsabiliza por perdas, danos, custos e lucros cessantes decorrentes de operações financeiras de qualquer tipo, enfatizando que as decisões sobre investimentos são pessoais.
Importante lembrar sempre: ganhos passados, não são garantia de ganhos futuros.

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.