MANHÃ DO MERCADO: Governo decide postergar decisões difíceis até Dezembro

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🌎 CENÁRIO EXTERNO

Pausa no rali

Mercados

Mercados asiáticos encerram a sessão com desempenhos mistos, sem grandes destaques. Na mesma direção, índices de mercado europeus amanheceram em baixa, onde investidores ensaiam sessão de realização de lucros. O Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, registra queda de 0,5% até o momento. Em NY, índices futuros também operam no vermelho, enquanto o dólar (DXY) mantém trajetória de desvalorização contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos operam sem direção única. O preço do petróleo (Brent crude) se mantém próximo à estabilidade, negociado em torno dos US$ 43,70/barril.

Pausa no rali

O forte desempenho das bolsas que vem sendo impulsionado pelo otimismo com a criação de uma vacina está sendo colocado em pausa na manhã desta 3ªfeira. Seguindo sessões de relevante valorização, a avaliação dos riscos inerentes à contínua deterioração do quadro sanitário nos EUA – que já têm diversos estados voltando a implementar medidas de distanciamento mais agressivas – leva investidores a ensaiarem um pregão de realizações. Na zona do euro, onde a reintrodução de uma política mais agressiva de controle da doença já acontece há algum tempo, o quadro já traz alguma melhora – apesar de que a situação ainda segue delicada em alguns países membros.

Governadores entram em ação

Em mês que os EUA já acumularam quase 2 milhões de novos casos da covid-19, Deborah Birx, integrante da força tarefa da Casa Branca contra o coronavírus, voltou a pedir auxílio dos governadores ao avisar que o número de casos não dá sinais de arrefecimento durante uma conferência na 2ªfeira. Dentre os 50 estados americanos, 45 se encontram em situação delicada com relação à doença e, portanto, já podemos ver alguns governadores se movimentado em busca do controle da situação. Este já é o caso nos estados de Michigan, Oregon, New Jersey, Nova Iorque e a California (entre outros). Resta saber agora até onde eles serão obrigados a irem para reverter a situação; o que pode variar de medidas mais brandas de distanciamento para a volta dos lockdowns.

Na agenda

A agenda americana é protagonista no cenário internacional pela manhã: além de receber as vendas no varejo (10h30) e a produção industrial (11h15) em outubro, o investidor avalia a leitura de novembro o índice de confiança do construtor (12h).

CENÁRIO BRASIL

Governo decide postergar decisões difíceis até Dezembro enquanto crise sanitária continua dando sinais de piora

Governo aguarda término do 2º turno

O líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-RR), revelou que o Planalto não pretende abordar a PEC Emergencial; que estabelece gatilhos de contenção de gastos; a reformulação do Bolsa Família, que o governo tem encontrado grande dificuldades para financiar ou a desindexação do Orçamento, que eliminaria a necessidade de aumentar uma série de gastos, até a conclusão da eleições municipais (29/11).

Decepção para o mercado

Até a declaração de Barros, existia a esperança que esses assuntos seriam retomados ainda em novembro. Consequentemente, só restaram 22 dias para a análise destas iniciativas antes do recesso parlamentar do final do ano. Como consequência destes atrasos, o Orçamento de 2021 não deve ser aprovado – na melhor das hipóteses, onde os parlamentares trabalham durante o recesso – antes de março, prolongando as incertezas sobre a adesão do governo ao teto de gastos e a incerteza fiscal generalizada que aflige o mercado.

Eleição pode contaminar o debate

Segundo o líder do governo, o atraso visa evitar que as disputas no plano municipal afetem o debate. Barros explicou que o governo teme que candidatos envolvidos em disputas no 2º turno poderiam pressionar os seus colegas no Congresso a se posicionarem contra as propostas de austeridade, dificultando a articulação que será feita para aprovar estas pautas. Porém, outros aliados do governo admitiram, reservadamente, que Bolsonaro ainda teme prejudicar os seus aliados que disputam o 2º turno.

Estratégia arriscada

Na nossa visão, o atraso nas discussões potencialmente causará mais dificuldades na articulação destas propostas do que uma possível “contaminação” da disputa eleitoral. Também recebemos a insistência do presidente em resguardar os seus aliados com uma certa estranheza; já que esta estratégia não produziu os resultados desejados por Bolsonaro no 1º turno, que elegeu poucos candidatos apadrinhados por ele.

Alta em número de internações

Segundo a Info Tracker, uma ferramenta desenvolvida por pesquisadores da Unesp e da USP que monitora o avanço da pandemia no estado de São Paulo, o número de internações na rede pública de hospitais do estado aumentou na segunda semana de novembro. Os pesquisadores também alertam que SP também sofre com um aumento de 50% de casos suspeitos. O alerta agrega ao corpo de evidência que sugere uma piora da crise sanitária no Brasil. Na semana passada, várias capitais das regiões Norte e Nordeste registram altas similares.

IFI calcula custo da extensão do auxílio

Segundo uma projeção feita pelo Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado, uma extensão do auxílio emergencial que dura a totalidade de 2021, com valor R$ 300, oneraria o governo federal com custo adicional de R$ 45,9 bi. Caso essa extensão dure três meses, um cenário muito mais provável, o custo adicional contabilizaria R$ 15,3 bi. O cálculo do IFI foi baseado em uma projeção que beneficia 25 milhões de pessoas.

BC se prepara para fim de ano movimentado

Como destaque adicional, o Banco Central comunicou que fará a partir de hoje leilões de swap cambial tradicionais com o objetivo de renovar o estoque de US$ 11,8 bilhões que vence no início de janeiro (01/04). No mesmo comunicado, o BC deixou a porta aberta para uma eventual recalibração do montante de swaps cambiais ofertados, sinalizando que a autoridade monetária poderá atuar com oferta líquida de swaps caso o ajuste das posições de overhedge dos grandes bancos venham a pressionar a taxa de câmbio.

Na agenda

Com agenda desta 3ªfeira esvaziada de indicadores, as atenções se voltarão para mais um leilão tradicional de NTN-Bs do Tesouro, às 11h.

E os mercados hoje?

Bolsas internacionais pausam sequência de ganhos em meio à avaliação dos riscos inerentes ao quadro sanitário no curto-prazo; com fluxo de notícias que encoraja a realização. No Brasil, a decisão do governo de adiar uma série de pautas essenciais para a manutenção da confiança do mercado vem como uma nova decepção. Tendo isso em vista, acreditamos que ativos locais deverão amanhecer com viés baixista, com a cautela importada do exterior acentuada pela manutenção da inércia do governo. Na fronte cambial, o comunicado do BC deve atuar na ponta de tirar pressão do câmbio no curto prazo, mas possivelmente terá efeito reduzido pela falta de tempo hábil que o governo terá para abordar pautas fiscalistas até o fim do ano.

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