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Aeris

Com as taxas de juros baixas – a Selic, que baliza as demais, está definida a 2% e dificilmente fugirá deste patamar até o final do ano –, investidores se bandeiam para a renda variável. Ávidos por papéis, os 3 milhões de investidores pessoa física, somados aos investidores institucionais que enxergam o Brasil muito barato hoje, injetam boa liquidez no mercado. Daí a viralização dos IPO’s no mercado local.

Calma que ainda há 40 empresas na fila para realizar a abertura de capital entre 2020 e 2021. A sede é grande, por isso há expectativa que neste ano o país possa se aproximar dos níveis de 2007, quando a Bolsa bateu o recorde de aberturas com 64 novas empresas chegando a mercado. E apesar deste ser um ano atípico, em todos os sentidos, por força da pandemia, a B3 deverá superar os R$ 80 BI de 2019 com alguma vantagem. A previsão é que entre IPO’s e follow-ons sejam movimentados R$ 115 BI. Um ano pra entrar na história, realmente.

Mas há um “detalhe” que não pode passar despercebido: os investidores estrangeiros recolheram as fichas. A bagunça fiscal (que deverá elevar a dívida pública para além dos 100% do PIB até o fechamento do ano) preocupa. E sem as verdinhas na mesa, os preços das ofertas também caem, razão pela qual algumas empresas suspenderam a data de abertura, esperando melhor janela de oportunidade. Agentes de mercado ouvidos por esta coluna não esperam uma reforma fiscal de larga escala, mas é possível que algo “meia bomba” ainda seja votado logo após o 1º turno das eleições municipais de 15 de novembro.

Em meio a este quadro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) soltou pesquisa na última sexta, 23, dando conta da dificuldade que 68% das indústrias pesquisadas – representando 10 dos 27 setores auscultados – têm para aquisição de matéria-prima. Com a pandemia, todos baixaram estoques e agora, no ensaio da retomada, precisam se reequipar. A um custo maior, certamente, como apontam 82% dos respondentes dessa mesma pesquisa.

É o Brasil ensaiando recuperação, apesar de sua classe política fazer inveja para pouquíssimos no mundo.

DÍVIDA

Como as canetas não ficam ruborizadas na hora de assinar nomeações, gratificações, contratação de novas despesas e outros quetais que só fazem aumentar o buraco no caixa, recorre-se à emissão de títulos públicos e as canetas que os subscrevem  fingem que está tudo certo e que assim já cumpriram o seu papel.

Ledo engano desses nervosos bicos de pena, pois que os títulos emitidos para organizar o desajuste anterior precisam ser pagos (devidamente corrigidos). Assim, os nossos guardiões do tesouro terão uma bucha a resolver (mais uma!) no começo de 2021. É um montante de R$ 643 BI a ser quitado, algo como 15% do total da dívida mobiliária interna.

ROLAGEM

Ainda sobre a dívida interna: somente em abril vencerão R$ 315 BI. Em condições normais de pressão e temperatura, a dívida é rolada. Mas como até o guardinha da loja hoje “tira” a temperatura, não estamos em condições normais.

TÍTULOS

O Ministério da Economia convidou a Associação Brasileira das Cias. Abertas (Abrasca) para apresentar proposta de isonomia tributária entre Títulos Privados e Públicos de Renda Fixa, quando adquiridos por investidores não-residentes.

A associação, que faz parte do GT Iniciativa do Mercado de Capitais (IMK), prevê aumento de demanda por títulos de dívida privada, emitidos por companhias brasileiras.

SANEAMENTO

Em leilão organizado pela B3, a Aegea conquistou o direito de gerenciar o serviço de esgotamento sanitário das cidades de Cariacica e Viana, na Grande Vitória (ES). Pelas regras estabelecidas, a vencedora investirá R$ 580 milhões em infraestrutura pelos 30 anos de contrato, sendo R$ 180 milhões nos cinco primeiros anos.

GADO

Conselho da JBS aprovou emissão de (até) R$ 2 bilhões em debêntures. Dinheiro será destinado à compra de bovinos.   

IPO

Queridinha dos consumidores classe A, A/B e a B também, a marca Tok&Stok vai abrir o capital. É que a sua detentora, Estok, já registrou pedido na CVM. As lojas de decoração deverão ter expansão numérica e, breve, irão conviver com uma marca-irmã a ser lançada. 

BIG

Na esteira dos IPO’s vem o grupo BIG, terceiro maior varejista do país. Proposta da companhia é expandir a base e “dar um geral” nas lojas atuais, que deverão ser transformar de supermercados em uma espécie de atacadões. O Walmart, que participa do capital da empresa, deverá desembarcar do negócio.

FIDELIDADE

A Dotz, empresa de fidelidade, também está prontinha para sua emissão primária de ações na B3.

Junto dela entraram na fila a Neogrid (empresa de tecnologia), a cearense Aeris Energy (fabricante de pás eólicas), a rede de Hortifrutis Oba (Grupo Fartura), e ninguém menos que a CSN Mineração – que se apresenta como dona de uma das maiores reservas de minério de ferro no mundo e a segunda maior exportadora de minério do Brasil.

Mercado aguarda com expectativa a nova leva de IPO’s na Bolsa brasileira.

STAKEHOLDERS

Nos próximos dias 28 e 29 acontecerá o segundo “GRI Summit – a Visão do Stakeholder”. Promovido pela Rede Brasil do Global Reporting Initiative, o evento discutirá a transparência das empresas.

No dia 28 o painel de abertura trará “A Visão do Conselheiro de Administração e lançamento do Manual para Comitês de Sustentabilidade”. Logo depois entra o painel “A Visão dos Jornalistas”, para o qual este colunista foi gentilmente convidado e já confirmado.

BDRs

A B3 concluiu todas as adaptações necessárias para que as corretoras comecem a oferecer os BDRs a seus clientes. A CVM já autorizou e foi dada a partida.

Somente no dia 22 último foram registrados 31.522 negócios, com volume (recorde) de R$ 140 milhões. De acordo com a Economática, as mais negociadas nesse dia foram 18 empresas dos Estados Unidos, a Mercado Libre da Argentina e AliBaba de Hong Kong.

MULHERES

Elas que já são 58% nas universidades do Brasil, aumentam a participação nas várias atividades econômicas dia a dia. Mulheres que até bem pouco tempo passavam longe da Bolsa (de Valores, bem entendido), hoje têm presença significativa na B3. As 779.378 investidoras representam 25% desse universo. Por ora.

TRANSFORMAÇÃO

A Comissão de Ética do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial (Ibrademp) vai se transformar em Comissão ESG. A entidade promoverá webinar neste dia 27 para debater o assunto.

ARTIGO

Títulos verdes: indicadores ESG em alta

(*) Laura Albuquerque

Responsáveis por endossar a movimentação de mais de US$10 bi em operações sustentáveis de crédito, os títulos temáticos – mais conhecidos como títulos verdes, sociais ou sustentáveis – são ações geralmente negociadas como debêntures ou Empréstimos com Taxas Pós Fixadas em resultados de indicadores de desempenho ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa, do inglês, Environmental, Social and Governance).

Essas operações têm sido uma resposta do mercado à demanda corrente de investidores e da sociedade por mais responsabilidade no destino do seu capital e do propósito na busca de um alinhamento do uso de recurso ao requisito da sustentabilidade.

Mercado crescente no Brasil e na América Latina e exponencial no mundo, com estimativa para alcançar 350 bilhões de dólares em 2020, a rotulagem de títulos ganhou força após 2015 com o Acordo de Paris, quando 195 países reconheceram a urgência de canalizar recursos para financiar ações de adaptação e mitigação à mudança do clima.

No Brasil, o setor de energia tem sido o destino principal destes recursos, financiando mais da metade dos dos projetos de energia renovável [33%], transmissão [16%], bioenergia [8%] e armazenamento [2%], seguido de 14% para projetos florestais – manejo sustentável, reflorestamento e conservação –  de 8% para ecoeficiência, 6% para saneamento, entre outros como agropecuária e habitação popular.

Para que um rótulo temático exista em uma operação financeira de crédito, é essencial que as instituições emissoras da dívida apresentem integração dessa temática entre o recurso financeiro e as atividades que serão financiadas. É essencial que essa correlação seja tanto institucional, em termos de motivação e missão, quanto direcionada, em termos do conjunto de projetos ou iniciativas a serem financiados.

O caminho que um emissor de dívida precisa seguir para comprovar o rótulo temático inclui atividades preparatórias para a emissão e ações de gestão que garantam a rastreabilidade do uso daquele recurso até o vencimento da dívida. Quanto mais o emissor estiver preparado em termos de conhecimento da sua maturidade ESG, mais fluido será o processo de sua emissão.

Gestão, comunicação e monitoramento: três desafios para os títulos verdes

No desafio da gestão, há barreiras internas de buy-in devido à necessidade de maior participação de diferentes áreas no processo, como sustentabilidade, financeiro e comunicação. Há um esforço de convencimento interno em relação ao maior custo de emissão de um título temático frente a um tradicional (vanilla bond), pois há o custo de uma avaliação externa para rotulagem do título.

Argumentos como o acesso a novas bases de investidores diferenciados, que enxergam sustentabilidade como retorno de longo prazo, e por acesso os investidores de equity, além dos já investidores de crédito já acessados, são nossos principais aliados.

A comunicação efetiva para o mercado é reflexo direto da integração dos processos internos. O anúncio para mercado e documentação de apoio, como o Bond Framework – documento público elaborado pelo emissor que deve refletir fielmente como será alocação do recurso e antecipar como será sua gestão e monitoramento ao longo do financiamento. Assim, um Framework bem estruturado, referenciado, rastreável e transparente é essencial para que a operação de crédito sustentável ganhe confiança dos investidores.

Falando sobre monitoramento, o desafio começa logo após a emissão, pois é quando o emissor traduz em prática os indicadores informados ao mercado. O resultado dos indicadores do monitoramento é o que permitirá que o impacto positivo da emissão da dívida seja traduzido e transparecido aos investidores. Cada emissão de dívida terá seu respectivo conjunto de indicadores monitorados com frequência a ser definida pelo emissor e comunicado regularmente ao mercado. Ferramentas automatizadas de monitoramento de indicadores aceleram o processo de consolidação de indicadores, seu relato e consequentemente facilitam a comunicação para o mercado.

(*) Laura Albuquerque é gerente de Finanças Sustentáveis na WayCarbon, empresa brasileira especializada em produtos e serviços com foco na transição para uma economia de baixo carbono.

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