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EuCEO: Ana Karina Bortoni Dias, Banco Bmg

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Transformar um banco de 90 anos em uma fintech foi o desafio de Ana Karina Bortoni Dias ao assumir a presidência do Banco Bmg em janeiro de 2020. Hoje ela é a única e a primeira mulher a presidir um banco de capital aberto no Brasil.

Para deixar de ser de nicho, até então reconhecido pelo consignado, que tinha um relacionamento com o cliente via produto, para um banco considerado completo e digital, precisou mais do que um processo de digitalização pelo qual passou o banco neste período. Ana Karina teve o papel de engajar e influenciar para a mudança 1300 funcionários, além de conselheiros e acionistas. O Bmg é negociado sob o ticket BMGB4 na B3.

Hoje com 99% dos processos realizados digitalmente, o banco chegou ao ponto que queria: um modelo que nomeou de “Figital”. Uma combinação de atendimento digital com presencial, a partir da automatização dos processos em lojas e correspondentes, mas o contínuo atendimento físico.

O resultado deste trabalho está aí: em junho de 2021, contabilizava 5,8 milhões de clientes ativos, um crescimento de 28,2% nos últimos doze meses. Pelos critérios do Banco Central são 7,8 milhões de clientes totais. Houve um aumento em 240% a quantidade de contas nos últimos doze meses, atingindo 4,6 milhões de contas digitais.

Para marcar as mudanças, os Bmg reformulou sua marca. Mas a transformação por qual passa a companhia vai além. É o que conta Ana Karina Bortoni Dias, que conduziu este processo durante a pandemia do coronavírus.

Qual foi sua trajetória até a presidência do Bmg?

Sai de uma carreira acadêmica em química para a área financeira. Estive à frente de processos de transformação de empresas durante os 19 anos em que atuei na McKinsey & Company, boa parte como sócia. Como consultora fui convidada a assumir a presidência do Conselho do Bmg, onde atuei de março a dezembro de 2019.

Você assumiu este “cargo máximo” e recebeu o desafio de liderar uma transformação durante um período novo para todo mundo, uma pandemia. De que forma isso influenciou neste processo?

Posso dizer que nossa transformação digital aconteceu de forma mais rápida por causa deste cenário. O cliente digitalizou mais. E a nossa força de venda foi mais rápida. Fizemos em seis meses o que poderia ter demorado dois anos.

Tivemos um trabalho de modernização do banco, que envolveu a mudança de práticas com os colaboradores, como acabar com um dress code, ter um ambiente mais aberto para discussão e adotar modelos mais próximos de comunicação. Passamos por um processo de mobilidade no trabalho, com a adoção de um sistema híbrido, que deve permanecer – 95% dos colaboradores sinalizaram sua preferência nesse sentido. Já entregamos 33% do nosso espaço físico.

Fortalecemos o contato e o cuidado com o colaborador. Adotamos canais, como o Instagram corporativo, e práticas de psicologia viva, com sessões online, além da doação de mais encontros online. Minha proximidade com o funcionário também foi beneficiada. O ambiente digital possibilitou que eu passasse a me reunir com mais frequência e com o maior número de pessoas. Se antes eram dez em uma reunião, hoje são 60 colaboradores de uma vez.

E assim como outros colaboradores, eu também passei a executar meu trabalho em casa. Uma das vantagens é que passei a almoçar em casa com minha família. Sou casada e tenho três filhas, com idades entre 13 e 23 anos, duas delas são minhas enteadas. Então, vivo todas as situações que uma mãe possa passar.

Com a pandemia, coisas que eu gostava de fazer, como sair para jantar, ira ao cinema, fazer exercícios, ficaram mais restritas. Mas nos adaptamos. Lá em casa, por exemplo, todo mundo passou a cozinhar mais e melhor. A gente se adaptou, e já que é este modelo, tivemos que pensar em como fazer o melhor.

O que você visualiza e deseja daqui para frente?

Profissionalmente é completar o processo que comecei como CEO. Uma transformação dá muita energia e é muito desafiador, mas estamos no meio dela. Tenho a expectativa de completar este ciclo: finalizar esta transformação em uma fintech de 90 anos, com um bom alinhamento com as pessoas. E tenho a expectativa de que tudo isto que estamos vivendo melhore. Tenho curiosidade em saber de como vai acabar. É complexo, a gente se readaptou. Mas está sendo doloroso. Muitas pessoas perderam entes queridos, e todos perdemos algo, de certa forma.

Crédito das Fotos: Silvia Zamboni

Você foi vencedora do Prêmio Consumidor Moderno 2021 na categoria CEO do Ano, que reconhece empresas com excelência em serviço ao cliente, o que isso representa para você?

O fato de ter mulheres líderes é um sentimento forte de que deveria haver equidade, mas não é a realidade ainda. No passado, isso nem era um assunto. Hoje, é. Todo mundo entende que não há motivo para não se ter equidade. Eu vejo que esta questão não deveria ser nem um assunto. Deveríamos chegar a um ponto de que não precisaríamos falar sobre isso. Mas precisamos. É uma pena. Neste sentido, pessoas na minha posição acabam sendo um espelho, um exemplo. Eu recebo muitos depoimentos, por exemplo, em redes sociais, como no Linkedin, de pessoas que não conheço, palavras bonitas, de incentivo. E isso me mostra o quão é importante esse exemplo. É uma responsabilidade a mais.

De que forma a questão de equidade é abordada pelo Bmg?

É preciso dizer que metade dos funcionários do banco são mulheres, assim como os componentes do Conselho Administrativo. Temos um lado forte de inclusão e canais bem estabelecidos de denúncias contra assédios e discriminação. Aos poucos estamos batalhando para igualar essa balança e aumentamos a licença paternidade para dois meses, dessa forma os pais podem estar presentes nos primeiros meses de vida dos filhos, dividindo os cuidados e deveres com as mães.

Nossa preocupação é reforçar a diversidade como um todo, como olhar para os LGBTQI+ e as pessoas com deficiências. Temos um grupo dentro da área de transformação que é dedicado a identificar oportunidades para reforçar isso. E hoje onde mais atuamos é por saber como as pessoas se sentem mais incluídas, com um olhar de inclusão. Trabalhamos esta visão por meio de palestras, campanhas específicas, e temos tido um feedback positivo. Também estamos montando uma academia dentro da empresa para reforçar a formação e desenvolver o funcionário.

Para fora do banco, temos questões importantes que trabalhamos. Uma delas é por meio do futebol. Nossa proximidade com o esporte é bem conhecida. Temos parceria com Corinthians, Vasco da Gama e Atlético Mineiro. E também apoiamos as equipes do futebol feminino.

Outra área que estamos focando é o estímulo à formação de mulheres o setor de tecnologia. Para isso, fechamos uma parceria com a organização PrograMaria.

Como acontece esta parceria e o esforço da companhia neste sentido?*

O Banco Bmg criou o Juntas em Tech, série de ações que incluem palestras abertas e gratuitas sobre o tema, que serão realizadas ao longo dos meses de agosto e setembro, assim como iniciativas internas para fomentar a equidade na organização, em parceria com a PrograMaria, startup de impacto social com a missão de empoderar mulheres por meio da tecnologia e da programação.

Hoje, para se ter ideia da disparidade no setor, apenas 15% dos estudantes dos cursos relacionados à Computação e 20% dos profissionais do mercado Brasileiro de TI são mulheres. Esses são índices muito baixos. Sendo assim, nós do Bmg, como empresa que fomenta a diversidade, inclusão e transformação da sociedade, buscamos a parceria com a PrograMaria para trazermos esse debate para nosso público interno e externo. Dessa maneira, esperamos contribuir com a equidade de gênero, não só no setor de T.I., mas em todos eles.

O Juntas em Tech começou neste mês de agosto, com uma campanha interna de sensibilização sobre o tema em seus canais de comunicação, utilizando dados de mercado, histórias de colaboradoras, conteúdos educativos que esclarecem termos pejorativos, assim como reforço no seu canal de ética. Na primeira semana, no dia 04 de agosto, realizamos o primeiro webinar com mediação da Iana Chan, fundadora da PrograMaria, e quatro colaboradoras do time de tecnologia do Banco. Essa foi uma conversa sobre o tema ‘Mais Diversidade Na Tecnologia – Por que importa e como alcançar’ e será o pontapé inicial da nossa parceria.

Além disso, outros temas, como as razões pelas quais faltam mulheres na tecnologia, a importância de debater e agir sobre o tema, boas práticas para transformar esse cenário e a PrograMaria, também farão parte desses diálogos.

*Informações divulgadas por meio de um release enviado pela Assessoria de Imprensa.

Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski é mãe do Miguel e do Yorkshire Lilo, casada com o Erik. Vive em Porto Alegre (RS), gosta de ler (quase de tudo), curte jazz, vinhos e é apaixonada pela cultura francesa. É Jornalista, formada pela PUCRS, com uma especialização em Gestão Estratégica pela UFRGS. Tem transitado pelo mercado financeiro desde a universidade, quando começou a colaborar com o Acionista.com.br. Também tem uma história longa com Organizações Não-Governamentais. Acredita que a profissão que escolheu não é só um ganha pão. E essa impressão tem ficado cada vez mais forte ao passar dos anos. E foi por isso que surgiu o Mulheres em Ação.

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