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Edmar Bacha: Candidato deverá encarnar o ‘liberalismo social’

Data da publicação

“O Estado de S. Paulo” é o mais antigo dos jornais da cidade de São Paulo ainda em circulação . Em 4 de janeiro de 1875, ainda durante o Império, circulava pela primeira vez “A Província de S. Paulo” – seu nome original.

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Em busca por alternativa à disputa entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2022, o economista Edmar Bacha, integrante da equipe que desenvolveu o Plano Real e do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), não vê a possibilidade, no quadro atual, de uma política pública, como a estabilização da hiperinflação, catapultar um candidato. Em 1993 e 1994, descreve Bacha em No País dos Contrastes, livro de memórias que está lançando (selo História Real, ed. Intrínseca), Fernando Henrique liderou a estabilização, como ministro, e acabou eleito presidente em 1994. Agora, o foco tende a ser na “personalidade” política dos candidatos capazes de “encarnar” um projeto de “liberalismo social”.

O quadro de hoje se compara ao de 1993, quando o Plano Real foi gestado a um ano das eleições de 1994?

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É difícil. Primeiro, não estamos no governo para fazer um Plano Real. Segundo, não tem um Plano Real à vista. O que podemos fazer é evocar na população a imagem do Plano Real, para dizer que toda aquela experiência mostra que o Brasil tem melhores alternativas que Lula e Bolsonaro. Não vamos fazer uma volta para aquele passado negativo que foi o “lulopetismo”, nem essa desgraça que é o Bolsonaro. O Brasil merece o melhor. Nas últimas pesquisas, o grau de rejeição do Lula, quando associado ao PT, é, na verdade, tão grande quanto o do Bolsonaro. Então tem espaço para uma proposta nova, modernizante, de “liberalismo social”, que responde a essa preocupação com a questão do desemprego, da fome, da distribuição de renda.

E de que forma se definiria, eleitoralmente, o melhor nome para a disputa?

Por que os candidatos mais importantes que estiverem ainda na mira da Presidência em dezembro, logo depois da conclusão das primárias do PSDB, não entram num acordo para fazer uma série de debates entre eles, promovidos por veículos de imprensa? E com um acordo com os institutos de pesquisa, que iriam acompanhando o sentido da população em relação a esses candidatos, para ver se convergimos para um candidato único?

Acha possível um candidatos encarnar esse projeto sem um impulso como o Plano Real?

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Acho que vai depender muito de personalidades. O que vai atrair mais a população? Um governador que promoveu a vacina (João Dória, de São Paulo, do PSDB)? Aquele outro governador jovem com ideias novas de modernidade e diversidade que vem lá do Sul (Eduardo Leite, também do PSDB)? Será um ex-ministro da Saúde que tentou fazer o que era certo no governo Bolsonaro (Henrique Mandetta, do DEM)? Será uma mulher que vem lá do Mato Grosso do Sul (a senadora Simone Tebet, do MDB)? Será um ex-ministro que se notabilizou pela Lava Jato (o ex-juiz Sérgio Moro, que foi ministro da Justiça de Bolsonaro)? Não está claro ainda quem vai ser. Por isso acho importante fazer esses debates, para que haja uma exposição maior de cada um deles.

No País dos Contrastes

Editora Nova Fronteira

240 páginas

Impresso: R$ 69,30

e-book: R$ 34,90

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor

“O Estado de S. Paulo” é o mais antigo dos jornais da cidade de São Paulo ainda em circulação . Em 4 de janeiro de 1875, ainda durante o Império, circulava pela primeira vez “A Província de S. Paulo” – seu nome original.

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