Economista chefe da Necton sugere onde investir com cenário de juros em queda

Por: Andre Perfeito Economista-chefe da Necton

O mês de setembro foi marcado por mais quedas nas projeções dos juros no Brasil. A atividade apresentou até alguma surpresa positiva com dados do PIB do segundo trimestre vindo melhores. Mas no geral se mantém uma leitura frágil da economia brasileira onde se vê uma retomada bastante gradual. Adicionalmente os dados da inflação continuam extremamente benignos com destaque para a queda continuada do grupo alimentação.

Na reunião do COPOM do mês passado o Banco Central fez mais um corte na taxa SELIC levando esta para 5,5%. E na ata apontou que deve continuar com o patamar de cortes em 50 pontos. Alguns economistas leram que o tom do documento foi mais “altista” uma vez que há um certo desconforto com o patamar do câmbio recentemente observado. Contudo o mercado vê já espaço para cortes adicionais na taxa básica. Portanto, Necton decide mudar a projeção para a SELIC para o fim de 2019 de 5% para 4,5%.

André Perfeito e sua equipe da Necton acredita que esta não seria a melhor decisão. Mas no parece que a Autoridade Monetária está sendo pressionada para fazer via política monetária o que o ministério da economia não quer ou não pode fazer, a saber, incentivar a demanda. Para além disto, a equipe acredita que o BCB não vê impactos relevantes da alta do dólar na dinâmica dos preços domésticos uma vez que a atividade fraca está fazendo o “trabalho sujo” da SELIC e que o grupo alimentação também está se comportando de maneira extremamente benigna.

A preocupação da Necton se centra no comportamento da moeda norte-americana que pode frear o ímpeto de corte de juros. Mas diferentemente da maioria dos economistas nós já estamos apontando a alta da moeda norte-americana faz tempo, logo isso não é um risco novo. O problema é que o Dólar tende a subir por conta não do Real ficar fraco. Mas antes porque a dinâmica dos EUA pode fortalecer o dólar. Fora isso agora temos que considerar outros riscos domésticos.

Como o mercado trabalha com a SELIC em 5% podendo ser menos ainda isso implica dizer que não há incentivos de entrada de dólar pelo motivo especulação. Uma vez que a volatilidade do Real é 15% tornando não atrativo para a arbitragem de taxas. Isto pode fazer o Real ficar mais fraco e agora a Necton projeta agora o Dólar á R$ 4,15 no final do ano (a projeção anterior era de R$ 4,05).

Neste sentido a equipe da Necton recomenda uma alocação mais pós-fixada em Tesouro SELIC (LFT) na razão de 75% e em25% em Tesouro IPCA (NTN-B) com vencimento em 2024 na proporção de 25%.

Juros para baixo devem continuar incentivando a renda variável e assim dar impulso na margem ao mercado de capitais. Vale a pena se atentar com títulos privados que possam se valorizar na medida em que os juros caiam. Os Fundos Imobiliários são uma boa opção num cenário de juros muito baixos e devem ser considerados nas decisões de alocação em outubro.

CARTEIRA DE AÇÕES RECOMENDADA DA NECTON