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Mulheres em Ação

Diversidade, a Geração Z está mudando o eixo da discussão

Data da publicação

Repórter em veículos como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, atuou também como apresentador do programa ECO Negócios, na ECO TV. É MBA em Comunicação e Relações com Investidores e diretor na Virtual Comunicação.

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Até bem pouco tempo, os jovens tinham o direito de “ficarem calados quando adultos conversavam” e fazer as coisas “sem reclamar”. Aí veio a tecnologia e o mundo começou a mudar de forma acelerada.

Nascida em 1995, a tal Geração Z é a primeira desta revolução digital. Hoje, acima dos 20 anos, esses jovens estão no mercado de trabalho questionando valores, querendo falar e ser ouvidos e esperando da vida – pessoal e profissional – algo que lhes faça sentido. Preconceito étnico, de gênero, homofobia… Como assim? Para eles são questões pretéritas. E para saber como as empresas estão lidando com esses intrépidos recém-chegados, ouvimos Giuliana Preziosi, mestre em Gestão para a Sustentabilidade.

A propósito, a temática da Geração Z é tão rica que foi a base para a sua tese de mestrado. Ela, que agora estuda neurociência, quer saber mais sobre sustentabilidade – tema obrigatório no dia a dia econômico, inclusive no Portal Acionista. Nota publicada na coluna Via Sustentável mostra que o percentual de mulheres nos Conselhos das companhias brasileiras duplicou desde 2014, mas ainda assim não chega a 15%.

“Para este jovem tal discriminação com as mulheres não faz sentido; aliás, nem este nem outros vícios de nossa sociedade, como homofobia e toda sorte de preconceitos”, comenta Giuliana, que também é sócia da Conexão Trabalho Consultoria. Segundo ela, o fato de terem nascido em ambiente tecnológico, conectados com o mundo, os deixa desprovidos de amarras que gerações passadas amargaram.

Então a diversidade é uma questão tranquila para a Geração Z, mas não ainda para algumas organizações. Como, afinal, as companhias estão fazendo para acomodar esse capital humano emergente em seus quadros?     

–  O fato é que parte desses jovens não quer trabalhar em empresas que, na sua visão, provoquem algum impacto negativo para a sociedade. E isto gera um desafio enorme para o mundo corporativo, principalmente ao considerar o futuro do trabalho. Reter essa turma não é tarefa simples, porque eles não têm medo da mudança e vão atrás de sentido, de realização e de propósito – diz Giuliana, que se debruçou sobre o tema em 2019 e 2020, inclusive cruzando dados do ISE, Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 com o ranking das Melhores Empresas para o Jovem Trabalhar.

Sobre o futuro das companhias, que dentro de 10 a 15 anos deverão ter em seus comandos alguns desses jovens, ela espera melhoras no ambiente de negócios e a erradicação do preconceito – se não de todo, mas substancialmente. A adesão dos colaboradores a programas de voluntariado, para ela é um dado gratificante, uma vez que tem crescido de forma satisfatória. “A Geração Z quer engajamento e trabalhos voluntários são uma forma disto”, destaca.

Lembrando que o impacto positivo tem de ser de dentro para fora, é da opinião que ter uma gestão para a sustentabilidade pode ser crucial para uma visão de longo prazo de qualquer organização. “O jovem quer ser ele mesmo e a empresa deve não só dar abertura para isso, mas valorizar e promover um ambiente corporativo, aberto e de trocas. Para tal é preciso falar em diversidade e inclusão”.  

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Geracional

Outro ponto que Giuliana Preziosi chama a atenção é a própria questão intergeracional. “Com o aumento da expectativa de vida, temos quatro gerações convivendo no mercado de trabalho, cada uma com características marcantes porque viveram períodos históricos diferentes. Assim, é preciso existir um olhar focado nas potencialidades de cada geração e não nos problemas. A troca intergeracional pode trazer ganhos muito expressivos se houver uma gestão apropriada”.

Concluindo, a mestre em Sustentabilidade deixa uma dica: “Não basta um posicionamento de marketing raso, sem ações efetivas que comprovem a geração de valor para as diferentes partes interessadas. Valores institucionais concretos são percebidos e não apenas escritos em uma folha de papel”.


Saiba mais sobre nossa entrevistada aqui.


Por sua conta e risco, a fim de conhecer outras realidades e fortalecer o aprendizado, Giuliana visitou 500 novos lugares em 2015. Entre estes, a Indonésia e o Butão (que criou o índice Felicidade Interna Bruta), fotos compartilhadas para esta entrevista.



Autor

Repórter em veículos como Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, atuou também como apresentador do programa ECO Negócios, na ECO TV. É MBA em Comunicação e Relações com Investidores e diretor na Virtual Comunicação.

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