Mulheres em Ação

Denise Damiani, a ativista

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Denise Damiani é aquele nome que fala por si. E não fala pouco. Em 20 anos, construiu uma outra carreira (ou algumas carreiras) depois do sucesso na “primeira”. Nos anos 2000, ocupou o cargo de Chefe de Diversidade da Aceenture, da qual foi sócia, assim como na Ba&Co. Fundou o primeiro home banking do Brasil e foi Vice-Presidente da Itautec. Sua formação inicia na área de tecnologia e passa por diversos MBAs.

Há duas décadas, faz um trabalho de referência como conselheira e como consultora de empresas em áreas como Estratégia, Inovação, Transformação Digital. Mas é por meio do seu trabalho “social” que ela se multiplica. O seu lado ativista envolve a promoção da educação financeira e o empoderamento feminino por meio de diferentes publicações, conversas com mulheres – o DD Talks, cursos e iniciativas de educação, além do seu envolvimento no Grupo Mulheres do Brasil, da qual é uma das fundadoras. Denise é uma das líderes do Comitê 80 em 8, que passou a ser um dos parceiros articulistas do Mulheres em Ação.

A atuação da Denise pode ser acompanhada através do seu site https://denisedamiani.com/. E o seu livro “Ganhar, Gastar e Investir” já fica aqui como dica de envolvimento com o mundo “DD”, do qual ela nos conta brevemente nesta entrevista.  

No seu livro “Ganhar, Gastar e Investir”, você defende que toda a mulher pode ter uma relação saudável com o dinheiro e quebrar o paradigma histórico e cultural que temos em relação a ele. O que é uma relação saudável com o dinheiro na sua visão e como é possível todas nós, independentemente de onde e como estamos vivendo, construí-la e mantê-la?

O que eu considero uma relação saudável com o dinheiro são alguns comportamentos como:

  • Ganhar mais do que se gasta;
  • Aprender a investir. Não só poupar. Aprender sobre investimento e melhorar nesta área;
  • Se interessar por olhar sua situação atual e planejar o futuro;
  • Conversar sobre o tema com os seus filhos, marido, familiares;
  • Saber se valorizar e valorizar a sua profissão;
  • Saber negociar remuneração, conectada com os resultados que se entrega;
  • Programar os sonhos e guardar dinheiro para isso;
  • Viver feliz com o dia de hoje e também não só preocupada com o futuro;
  • Não ficar obcecada por dinheiro sem fazer nenhuma ação.

Há 20 anos você ocupou o cargo de chefe de diversidade em uma multinacional e teve e o desafio de transformar o panorama daquela organização, na época, conforme você destaca no seu livro, elevando o percentual de sócias mulheres. Hoje você tem uma atuação consistente também como Conselheira em Conselhos de Administração. O que mudou na questão da diversidade nas empresas de lá para cá? Quais eram as bandeiras, os desafios, e no que as organizações estão mirando nesse sentido? Você, que está em contato com as estratégias das companhias, visualiza que a diversidade está alinhada a isso?

Tivemos muitos avanços no tema de mulheres nos ambientes de poder. Saímos de 4% para 7% de presença de mulheres em altos cargos. Nesse período, muitos grupos foram criados para incentivar, mentorar, debater e ajudar homens, mulheres, empresas a entenderem o problema e fazerem ações propositivas para melhorar o cenário.

Isto vem há muitos anos, e o avanço é muito lento nos números. Este ano, os princípios ESG (sigla em inglês que significa Environmental, Social and Governance, e corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização), que cuidam da diversidade, ajudam a puxar a atenção para esta agenda (melhores práticas de ambiente, social, governança). Calcula-se que cerca de 100 trilhões de dólares pelo mundo está sendo usado para incentivar empresas com as melhores práticas ESG. Isto sim faz diferença!

De que forma podemos relacionar o tema diversidade com questões feministas?

Diversidade tem a ver com ter representatividade NO PODER deste grupo. Não são somente mulheres, mas negros, LGBTQ+, deficiências, idades, etc. Mas nada se compara ao tamanho do pool de mulheres que são 50% da população e só 4% com poder. Se isto não for resolvido, como podemos esperar que os restantes grupos MUITO menores serão?

No seu site você usa a palavra ‘ativismo’ para reunir diversas iniciativas às quais você está envolvida. Onde elas se encontram? Como elas se comunicam?

Meu ativismo é pela liberdade financeira das mulheres. Não acredito em liberdade sem independência financeira. Então me dedico a que as mulheres possam criar patrimônio para esta liberdade. Patrimônio se cria se você ganha mais do que gasta e investe a diferença.

Todas as minhas ações tem a ver com GANHAR +, Gastar – e investir melhor. Entre elas a mentoria para mulheres empreendedoras e empresaras, o curso voltado a esse público, os livros, o Fundo de Investimento para mulheres (Saphira), educação para elas, e por aí vai.

Quais são as características do Fundo de Investimento Saphira?

Saphira é um fundo multimercado, onde mulheres podem investir qualquer valor, ganham boa rentabilidade, ganham educação financeira gratuita feita pela Vinci Partners, a gestora do fundo, e 20% da taxa de administração a Vinci doa e nós escolhemos projetos para apoiar as mulheres  e jovens em situação de vulnerabilidade

Como você resumiria seu propósito de vida hoje e quais são ainda seus sonhos?

Eu adoro trabalhar. Tenho muitas ideias e as coloco em prática. Sou independente financeiramente há muito tempo. Então, não trabalho mais no que preciso e, sim, no que eu gosto. Escolho os projetos, os conselhos, as ONGs que quero apoiar.

Hoje estou em quatro conselhos brasileiros, dois nos EUA, colaboro com o Grupo Mulheres do Brasil onde buscamos ajudar o Brasil na solução dos grandes problemas com as mulheres.

A educação financeira das mulheres ainda é algo muito necessário, e estou começando treinar meninas que queiram espalhar este aprendizado no Brasil todo, através do programa Inteligência Financeira para Mulheres.

Também estou começando uma Universidade para jovens bem carentes, copiando um modelo do Maharishi Institute da África do Sul.

Enfim, sou uma máquina de fazer coisas (risos). Minha vida de executiva de tantos anos me dá a capacidade de colocar ideia em pé, com a ajuda de muita gente bacana que está ao meu lado.

Como funciona e como é possível participar do programa Inteligência Financeira para Mulheres?

As turmas são online. Não há perfil estabelecido. Os grupos são heterogêneos. O principal é ter vontade real de mudar o seu comportamento financeiro. Os encontros já começaram, mas aceitamos novas inscrições para viabilizarmos novos grupos.

O programa segue o Método Ganhar mais, Gastar menos e Investir – GGI – Plataforma Fundo Saphira, no qual abordamos seguintes assuntos:

  • Análise da nossa situação financeira atual
  • Nossa relação com o dinheiro
  • O significado do dinheiro em nossas vidas
  • O que realmente impacta nossas vidas
  • Por que cuidar do meu dinheiro?
  • A Lei do Dinheiro
  • Nossos bloqueios
  • O que queremos conservar em nossas vidas
  • O que nos faz, realmente, felizes
  • Ganhar, gastar, investir

Estes encontros são conduzidos por orientadoras mentoradas por mim. Eu faço palestras extras para os grupos no decorrer do programa. Temos, aproximadamente, de 10 a 15 encontros quinzenais de 1 hora.

Para participar é só enviar e-mail para [email protected].

E do que se trata esta Universidade voltada para jovens e em que fase está o projeto?

Ela é uma iniciativa brasileira inspirada na Metodologia do Maharishi Invincibility Institute da África do Sul. O nosso objetivo é implantar no Brasil uma instituição de ensino gratuita para pessoas de baixa renda, cujo cerne será proporcionar aos seus alunos ensino de qualidade (3o grau – profissionalizante) e inserção no mercado de trabalho – com diferencial de healing CBE – Educação Baseada na Consciência.

Este empreendimento está inspirado no trabalho realizado pelo MII – Maharishi Invincibility Institute da África do Sul. Os cursos, em regime integral, terão relação direta com a demanda do mercado de trabalho, e o objetivo é acompanhar o jovem até sua efetiva contratação por empresas parceiras – esta é a principal medida de impacto do projeto.

O foco será na demanda atual do mercado brasileiro. O curso escolhido é Computação e suas Especializações Tecnológicas. Os cursos serão preferencialmente presenciais, porém com a necessidade de isolamento, surgiu a oportunidade de iniciar o projeto com a Academia de Cybersecurity. Curso 100% online – permitindo desta forma dar início ao projeto local mesmo frente a imprevisibilidade do momento atual no Brasil.

Atualmente, estamos em planejamento do primeiro curso online a ser lançado no mês de setembro. Os alunos serão escolhidos por meio de um processo seletivo no qual será verificado, principalmente, a disponibilidade/vontade do jovem em se dedicar ao estudo (período integral) e de transformar a si e o ambiente social que vive.

O Maharishi Institute (MI) é uma instituição de ensino de baixo custo, com sede em Joannesbourg na África do Sul. Está focado em oportunidades de acesso a empregos e carreiras de alto nível, dignas e gratificantes para jovens historicamente marginalizados, particularmente mulheres em situação de risco. O MI fornece uma abordagem integrada, incluindo experiência educacional de contato por 10 horas por dia, tecnologia completa e acesso à Internet, refeições diárias, experiência de trabalho, aconselhamento e colocação profissional na formatura.

A transformação mais profunda e a jornada de crescimento pessoal são realizadas por cada aluno e levam a resultados sem precedentes: o Instituto oferece Educação Baseada na Consciência, uma abordagem de aprendizagem amorosa e holística centrada no aluno que começa com o desenvolvimento da consciência interior de cada aluno. Para conhecer mais sobre esta iniciativa, tem uma entrevista que fiz, durante um DD Talks, com Taddy Blecher, fundador da iniciativa na África do Sul.

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Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski tem 37 anos, é mãe do Miguel e do Yorkshire Lilo, casada com o Erik. Vive em Porto Alegre (RS), gosta de ler (quase de tudo), curte jazz, vinhos e é apaixonada pela cultura francesa. É Jornalista, formada pela PUCRS, com uma especialização em Gestão Estratégica pela UFRGS. Tem transitado pelo mercado financeiro desde a universidade, quando começou a colaborar com o Acionista.com.br. Também tem uma história longa com Organizações Não-Governamentais. Acredita que a profissão que escolheu não é só um ganha pão. E essa impressão tem ficado cada vez mais forte ao passar dos anos. E foi por isso que surgiu o Mulheres em Ação.

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