Crise causada pelo coronavírus é “divisor de águas” sobre criptomoedas

“Estamos caminhando para um mundo onde as criptomoedas podem passar a substituir as moedas locais”

Com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), questiona-se quais serão as medidas adotadas pelo governo para lidar com os danos. Segundo especialistas, o Brasil precisaria de um pacote de pelo menos R$ 500 bilhões para amortecer os impactos negativos na economia do país. Com a recessão global, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que os danos tendem a ser mais custosos que a recessão de 2009. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a economia mundial deve levar anos para se recuperar, exigindo esforço comparado ao Plano Marshall e New Deal combinados para que a recessão não se prolongue tanto.

Para Guto Ferreira, Analista Político-Econômico da Solomon’s Brain, o valor para amortecimento de impactos deve ser suficiente para além de manter a quarentena, também liberar linhas de crédito para empresas menores, que têm corrido riscos com a crise.

“Este seria um valor inicial, para cobrir não só os problemas e prejuízos dos funcionários que vão ficar um tempo sem trabalhar. Daria para abrir linha de crédito para apoiar as empresas que estão tendo problemas e também para socorrer as empresas que correm risco imediato de quebra, isso exige um valor alto”.

Ferreira aponta que com os mercados brasileiros se baseando nos mercados asiáticos e a dependência de commodities, as medidas tomadas pelo governo devem ser para tranquilizar quem tem capital no país. “Esse valor é o piso para proteção da economia, para que muitos não quebrem, ou para manter funcionários em casa, reativar a economia e tranquilizar mercados. A resposta econômica do governo brasileiro deve aliviar quem tem capital aqui dentro, sendo industrias, sejam mercados, seja comércios e serviços”, afirma.

Sobre o plano Marshall, Ferreira pontua que foi uma forma de colocar o dólar como moeda mundial e agora pode abrir portas para que as criptomoedas possam ganhar mais visibilidade. “O plano Marshall veio justamente para trocar o padrão ouro pelo dólar como base da economia mundial. O dólar permanece sendo a moeda referência desde lá e deve seguir alguns anos, mas existe uma condição para que possamos passar a discutir criptomoedas com a liquidez do sistema financeiro local”. Para o Analista, com a implementação de um plano parecido agora, há a possibilidade de em alguns anos as criptomoedas tomarem o lugar das moedas locais. “Se algo do tipo for implementado agora, creio que estaremos caminhando para um mundo onde as criptomoedas podem passar a substituir as moedas locais. Certamente seria um grande passo para a economia global.”, conclui.

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