Com ELAS – Cris Arcangeli

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Cristiana Arcangeli é uma empresária serial. Foi apresentadora do Programa Shark Tank Brasil. E hoje comanda o Empreender Liberta. No ar, no Youtube, com Paraisópolis a 1000.  É investidora no fundo de Investimentos Phenix, comunicadora e palestrante.

Ela acredita que a economia do país aumenta graças ao crescimento do empreendedorismo no país. Mas que isso só é possível quando há inovação e antecipação de tendências – características muito presentes em seu DNA.

Devido à extensa experiência no ecossistema empreendedor, Cristiana tem como missão motivar as mulheres a empreender, conquistar sua independência e com isso serem livres para terem suas próprias escolhas.

Conheça um pouco mais sobre suas ideias, projetos e trajetória. Inspire-se e use as redes sociais para aprender com ela: @crisarcangeli no Instagram, https://twitter.com/crisarcangeli, https://www.facebook.com/cristianaarcangeli/ e seu canal no Youtube.

Você desenvolveu diversos projetos solidários este ano: #DesafiodoSofá, #TodosdeMáscara, #SharkemAção, e agora o Paraisópolis a 1000. Qual foi a motivação e os principais objetivos a serem alcançados com eles? E qual é a relação com o eu propósito profissional, de vida?

Eu e todas as pessoas que conheço, e até que desconheço, nos vimos em uma situação sem precedentes. Nos vimos “trancados” em casa, sem poder ir ou vir, com um vírus invisível no ar. Não sabíamos quem era o “inimigo”. Ele tinha um nome, apenas. Não sabíamos como lidar com ele, nem na saúde, nem na economia. Muitas vidas se perderam, e o pânico instaurado pelo desconhecido foi definitivamente o maior e mais assustador dos problemas. Falta de gestão dos governantes, informações cruzadas, tudo tornou o que já era algo desafiador ainda mais complexo.

A partir daí, me vi em casa, e com um sentimento de novamente querer reconstruir tudo. Apoiar, de fato, milhares e milhares de pessoas de todas as regiões, de todos os lugares, para que, mesmo que o emprego tivesse ido embora, que ela encontrasse comigo soluções para inovar. Para que, mesmo de casa, encontrasse seu caminho e fizesse a diferença em sua vida e no mundo.

Comecei com um mote #desafiodosofa – que nada mais era que resgatar o que tem de bom em estar em casa. Pelas minhas redes sociais, pedi que todos os brasileiros mandassem o que estavam fazendo em casa, direto do sofá. E aí começou uma jornada transformadora. Pessoas que nunca tinham parado em casa, nunca tinham almoçado juntas, feito lição com os filhos, viram que, mesmo em meio ao caos, tudo tinha um lado bom.

Logo depois, veio o #todosdemáscara. Mais do que explicar pelo meu canal a necessidade do uso da máscara, queria também dar a oportunidade de pequenos empreendedores fazerem, da confecção de máscaras, um novo negócio. Me reuni com muitas empresas que tinha tecidos de reserva em grande escala, distribuímos para essas famílias, que fizeram as máscaras, e vendemos tudo pela Dafiti. Golaço que fez o bem, gerou renda para quem precisa, e aí vem o ponto da virada: essas pessoas perceberam que não precisam do assistencialismo, que em condições saudáveis de economia, ou mesmo em meio a um desafio como esse, poderiam criar, produzir e empreender.

Na sequência veio o #sharkemação. Usei toda a rede de conexões que disponho, e conectei elos, partes que, juntas, alavancaram seus negócios. É uma das partes fundamentais da trinca de sucesso: não existe mercado sem oferta. E, na situação pandêmica, cada um na sua casa, isso poderia ficar ainda mais distante.

Fruto do Shark, criamos o “Pitch 2 minutos”. A ideia era, pelo meu Instagram, conversar com cada uma das pessoas que me procurava, e dar algum tipo de suporte, mesmo que à distância. Comecei a ver que a maior parte das dúvidas se repetia. Os problemas de maior recorrência eram gestão financeira – e não separação pessoa física e jurídica – educacional (empreendedores que não conheciam as questões técnicas e jurídicas de abrir empresa, e comercializar bens e serviços), visibilidade e investimento. Sim, acredite, o investimento, quase sempre, é quase a última etapa, e, muitas vezes, com os ajustes anteriores, pode gerar capital que dê escala. A maior parte dos negócios que vi lá, precisa de um suporte profissional e emocional anterior ao investimento e visibilidade.

E funcionou assim: toda terça-feira, eu abro a live, e vou abrindo as solicitações. Os empreendedores têm 2 minutos comigo para organizarmos o que ele precisa. O melhor de cada terça-feira ganha uma live dedicada comigo na quinta-feira da mesma semana. Isso parece impressionante, e é, porque a dúvida de um, muitas vezes esclarece a do outro. E olha quanta gente saiu com mais clareza, e pronto para arregaçar as mangas e mudar sua realidade! Começamos com 2000 visualizações, e hoje somos mais de 20 mil, com trocas, aprendizados, caminhada… uma jornada que seja rápida, ágil e de fácil comunicação.

Vieram mais dois projetos. Um deles é o Maratona do Empreendedorismo. Aqui foi o auge do empreendedor raiz. Juntos, vimos que era possível. E novamente, juntos, arrecadamos 30 toneladas de alimentos para doação.  E, na Jornada do Empreendedor, nesse momento, já começamos a sentir os pés no chão, uma luz no final do túnel, e uma possibilidade da vida ter um “novo normal”.

E, recentemente, nasceu o Empreender Liberta, meu novo programa de Youtube. Conheci o Gilson Rodrigues e toda comunidade de Paraisópolis. E o que eles fazem lá é de tirar o chapéu, mesmo! E vi que poderia de fato apoiar com o que faço de melhor – mentoria, visibilidade e reunir um pool de empresas que pode transformar para sempre aqueles negócios, e escalar. Nasceu, então, o Empreender Liberta – Paraisópolis a 1000. O resultado você pode ver toda quinta-feira, às 22h, no Youtube.

Você relaciona esses projetos ao fato de acreditar que a “educação e mentoria de empreendedores de verdade” podem fazer a diferença para o Brasil mudar o histórico de fechamento de negócios – 50% nos primeiros 4 anos. De que forma você acredita que esses dois caminhos podem colaborar? Como podemos traduzi-los para a prática? O que falta para eles de fato mudarem nossa realidade?

Tudo que de fato mostre para a pessoa que ela é capaz já transforma o mundo. Isso se chama educação. E, no Brasil, infelizmente, não somos “ensinados” dessa forma, ainda. Educação vai muito além do pedagógico clássico. Para sairmos prontos de uma jornada intensa de formação, precisamos ter educação financeira, emocional, resiliência. Tudo isso, somado, pode tornar seres humanos mais ricos e aptos a ambientes de trabalho mais saudáveis.

Nem todo mundo, necessariamente, nasceu com a veia do empreendedorismo. Ela requer uma dose de risco, coragem para seguir mesmo no medo, e uma montanha russa que nunca tem fim. Mas será que todos sabem que podem? Que é possível? Que mesmo sendo funcionário, você pode empreender, com a mentalidade de um “dono”? Acredita de verdade que seu papel é tão fundamental para a empresa que de fato sem você a roda não engrena?

Com a junção correta e coerente da iniciativa pública e privada, começando sempre pela educação, podemos transformar a realidade dos negócios no país. Olhem para a pandemia. Quantos novos negócios surgiram ou prosperaram?

Claro que muitos faliram, quebraram, isso é inegável. Mas e quantas oportunidades temos aqui de quem mudou o jogo?

O que vi e vivi na comunidade de Paraisópolis com o Gilson mostra uma gestão de excelência. Se com recursos próprios e apoio da iniciativa privada eles conseguem chegar tão longe, imagina se o poder público apoiasse. E isso tem a ver primeiro com infraestrutura, canalizar os córregos, chegar saneamento básico, com regularização fundiária. Aí, depois, novos investimentos para negócios em si.

Gostaria de lhe ouvir sobre como vê a posição e as possibilidades que as mulheres têm hoje no mercado. No Paraisópolis a Mil focou em negócios tocados por mulheres. Por quê? O que você acredita que ainda falta para as mulheres empreenderem mais ou terem mais sucesso? Acredita que falta algum estímulo diferente? Ou não vê diferença entre o cenário e as condições para mulheres e homens no cenário de empreendedorismo brasileiro?

Sou zero feminista. Mesmo. Mas é uma realidade que os negócios de mulheres quebram em proporção 50% maior em até 4 anos. E certamente tem um porquê social nisso. Seja porque ela não se sente capaz, seja por tantas funções acumuladas, pelos filhos, a base é sempre a mesma. O que ela foi ensinada? Em qualquer classe social?

Quantas e quantas vezes, em encontros executivos, eu sou e ainda continuo sendo uma das únicas mulheres na mesa. Isso não me orgulha. Isso me mostra que eu, e inspirações como Luiz Helena Trajano, e tantas outras, temos que cada vez abrir caminhos.

Acredito que, se mudarmos de fato a mentalidade, e isso e faz aos poucos, por educação, confiança e perseverança, podemos ter oportunidades independente de gênero, cor, ou qualquer outro item que separe a de b.


A sua trajetória passa pelo mercado de luxo. Você entende que há diferenças nas questões básicas e mais importantes do que é empreender e de como ter sucesso que o empreendedor deve considerar ao eleger um segmento de atuação?

Com certeza. E todas esbarram sempre em um propósito. No que você faz de melhor, conhece, domina como informação. Isso dá mais chance de prosperar. E claro, existem mercados mais “carentes” de boas ideias e inovações, além de atrair clientes e investimentos com mais agilidade. Atenção a cada detalhe faz a diferença.

Qual é o seu recado principal para aqueles que querem começar um negócio de sucesso?

Você tem um sonho? O que você sabe fazer que você é boa mesmo? É vender? É se comunicar? É atender? É cozinhar? Costurar? Consertar? Seja o que for, dedique seu tempo a fazer, sempre mais, e não desista. Olhe tudo que tem disponível, grátis, por exemplo, no site do Sebrae, para começar um negócio. Faça curso a curso gratuitamente. Entenda como montar um negócio do zero. Tem muito material disponível gratuitamente. Mas uma única certeza tem que acontecer: confie em você e siga.

Como você define sucesso em um empreendimento?

Sucesso é a palavra mais relativa do universo. O que é para mim, não necessariamente é para você. Mas, na minha visão, é criar algo que transforme a sua vida tão profundamente, que motive outras pessoas a estarem com você – seja como time ou clientes. E que isso gere impacto em médio e longo prazo, que não seja tão perecível.

O que sempre lhe motivou a investir?

Comigo tudo sempre aconteceu de forma orgânica. Era dentista, sentia falta de um tratamento mais natural para cabelos, criei a Phytoervas. Entrei no mercado de beleza, fui sempre conhecendo, me dedicando e aperfeiçoando. E anos vivendo na pele os meus negócios ajudam demais na hora de olhar um negócio de fora. Então, o investimento para mim é maior que o aporte de dinheiro. É o que aquilo de fato fará, e como vai escalar.

Conheça um pouco mais a história e a trajetória da Cris.  

Cristina é formada em odontologia. Por isso, o famoso jargão “a dentista que virou xampu”, no início de sua carreira, foi ganhando novos contornos, mas sempre nesse ciclo constante de evolução.

Atua no mercado de beleza, bem estar e de alimentos funcionais. Empreendedora serial criou cinco empresas Inovadoras: Phytoervas, Phyta, PH – Arcangeli ,Eh e atualmente é CEO na Beauty’in  e sócia do Fundo de Investimento Phenix.

É mentora da Endeavor e diretora da FIESP – CJE / Pequenas e Médias Empresas e professora do Curso de MBA da PUCRS.  É apresentadora no programa Shark Tank Brasil no Canal Sony, Band TV, e Consultora de beleza e qualidade de vida multimídia. Além de ter sido conselheira do Programa O Aprendiz da Freemantle e apresentadora do Extreme Makeover Social da Endemol.

Tem três livros publicados e dois boletins diários no seu programa Manual, na Rádio Alpha FM, há  20 anos. Tem um blog de saúde, beleza, moda e bem estar, e está presente em todas as redes sociais onde gera conteúdo para mais de 2,5 milhões de pessoas diariamente.

Criou o movimento #Sharkemforma para incentivar empreendedores a empreender em si mesmos que aprovou o manifesto:

  • Qualidade de vida saudável
  • Melhora Auto Estima
  • Acreditar em você mesmo e liberdade para fazer
  • Suas próprias escolhas e decisões
  • Empreenda primeiro em você

Os veículos de transformação do movimento são o Instagram e Facebook – @sharkemforma, produtos digitais e a plataforma #Sharknoparque. Desde que se tornou um dos “tubarões”, Cristiana foca seus investimentos preferencialmente em ideias e propostas que são apresentadas pela plataforma do Shark Tank Brasil.

Cristiana criou a primeira semana de moda do Brasil, o Phytoervas Fashion e Phytoervas Fashion Awards sendo reconhecida como uma das mulheres que mais influenciou o setor no país.

Faz palestras no Brasil inteiro e internacionacionalmente disseminando os conceitos de Inovacão, Marketing, Gestao 3.0, empreendedorismo, empoderamento feminino.

E ocupa a cadeira 21 da Academia Brasileira de Marketing e, ao longo de sua carreira, acumulou 24 prêmios, entre eles: Personalidade do ano pelo Governo do Estado de São Paulo, Mulher Mais Influente do País, Prix Veuve Clicquot de la Femme d’Affaires e prêmio das empresas mais inovadoras no Brasil.

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Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski tem 37 anos, é mãe do Miguel e do Yorkshire Lilo, casada com o Erik. Vive em Porto Alegre (RS), gosta de ler (quase de tudo), curte jazz, vinhos e é apaixonada pela cultura francesa. É Jornalista, formada pela PUCRS, com uma especialização em Gestão Estratégica pela UFRGS. Tem transitado pelo mercado financeiro desde a universidade, quando começou a colaborar com o Acionista.com.br. Também tem uma história longa com Organizações Não-Governamentais. Acredita que a profissão que escolheu não é só um ganha pão. E essa impressão tem ficado cada vez mais forte ao passar dos anos. E foi por isso que surgiu o Mulheres em Ação.

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