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Corretora Warren e as iniciativas voltadas à diversidade

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A corretora Warren, fundada em Porto Alegre e com mais de R$ 3,5 bilhões captados junto a investidores, avança a passos largos na direção de iniciativas voltadas à diversidade no mercado financeiro.

A fintech prepara para o primeiro trimestre deste ano o lançamento do Warren Progresso, programa que vai recrutar, capacitar e inserir dentro da empresa pessoas que geralmente ficam à margem dos processos seletivos. Em janeiro, serão quatro profissionais transexuais.

Em março, serão as mulheres negras e assim acontecerá ao longo de 2021, olhando para diversos recortes. Além disso, em uma ação conectada com a Warren Educação, vai disponibilizar 500 bolsas para educação financeira de pessoas negras.“Vamos ser a maior e melhor corretora de investimentos do Brasil, mas aliando isso com diversidade”, aponta Kelly Gusmão, sócia-fundadora da fintech, destacando que os negócios precisam ter um propósito, pessoas e um ambiente propício para isso acontecer.

Dos 380 colaboradores da Warren, 30% são mulheres, 12% pertencem ao grupo LGBTQ+ e 15% são pessoas não brancas. “Não acreditamos em diversidade comercial, tem que ser verdadeira. Dentro da Warren, esse é um movimento orgânico”, complementa.

Kelly tem 39 anos, é de Uruguaiana, interior do Rio Grande do Sul, e a sua primeira experiência relacionada ao dinheiro, na verdade, teve a ver com a escassez dele, quando sua família passou por dificuldades. “Quando fui decidir a minha profissão, quis fazer algo generalista. Queria ser independente financeiramente”, conta. Ela se formou em Administração de Empresas na PUCRS e, depois, foi para os Estados Unidos, onde morou durante dez anos. Foi lá que ingressou a carreira no mercado financeiro, trabalhando em corretoras.

Em 2016, voltou ao Brasil para ajudar a implementar a Warren, ao lado de Marcelo Maisonnave, Tito Gusmão, Rodrigo Grundig e André Gusmão. Constituiu os cinco primeiros fundos de investimentos da empresa e começou a se interessar também pela área de recursos humanos e pelo tema da diversidade.

Feminista ativista, como ela mesma se define, decidiu que era preciso levar mais mulheres para o mundo dos investimentos, de forma que elas pudessem ser protagonistas da sua vida e não depender de ninguém. E foi para diminuir a distância entre mulheres investidoras e o mercado financeiro que ela idealizou Warren Equals, um produto de ações que investe apenas em empresas (brasileiras e mundiais) que comprovadamente promovem ações de equidade de gênero e que possuem mulheres atuando em cargos de destaque.

Lançado em março de 2020, foi o primeiro do gênero lançado no País e, seis meses depois, já apresentava um retorno de 12,09%, enquanto o Ibovespa registrava 6,67% no mesmo período.Baseado no Bloomberg Gender-Equality Index (GEI), índice criado para mapear o desempenho financeiro das empresas públicas comprometidas em divulgar seus esforços para apoiar a equidade de gênero, o fundo já conta com um patrimônio líquido superior a R$ 13 milhões e cerca de 13,4 mil cotistas.

Fazem parte do Equals empresas que possuem políticas de promoção de igualdade, governança seguindo critérios como possuir políticas internas contra assédio, mulheres ocupando cargos de liderança e diretrizes de promoção de equidade. “Além de potencializar os investimentos, investir pelo Equals significa incentivar a busca por oportunidades e direitos iguais para todos”, declara Kelly. Entre as empresas listadas estão Magazine Luiza, Novartis, Danone, Coca-Cola e Adobe.

Para a executiva, investir em empresas com lideranças femininas pode ser uma estratégia inteligente e rentável para os investidores. E o mesmo vale para outros temas. O Warren Green, voltado para investimentos em empresas com critérios em sustentabilidade, socioambiental e governança, foi apontado como o terceiro melhor fundo de ações do País em 2020 pelo Valor Investe.“Por que não fazer investimentos que estejam alinhados com seu propósito de vida? Essa é uma demanda do consumidor e dos investidores”, destaca Kelly.

Além do quesito social, esse também é um direcionar de negócios. Para a executiva, a diversidade traz novas perspectivas dentro das empresas. “Se colocarmos pessoas com as mesmas visões e perspectivas de vida para pensar a solução de um problema, reduzimos as chances da geração de ideias criativas. Quando uma empresa é um lugar diverso, ela tende a conseguir atender melhor também os clientes no quesito plataforma, usabilidade e produtos oferecidos”, conclui ela, que é uma entusiasta desse tema.

Fonte: Esta matéria foi publicada com exclusividade pela jornalista Patrícia Knebel do Jornal do Comércio.

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Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski

Grazieli Binkowski tem 37 anos, é mãe do Miguel e do Yorkshire Lilo, casada com o Erik. Vive em Porto Alegre (RS), gosta de ler (quase de tudo), curte jazz, vinhos e é apaixonada pela cultura francesa. É Jornalista, formada pela PUCRS, com uma especialização em Gestão Estratégica pela UFRGS. Tem transitado pelo mercado financeiro desde a universidade, quando começou a colaborar com o Acionista.com.br. Também tem uma história longa com Organizações Não-Governamentais. Acredita que a profissão que escolheu não é só um ganha pão. E essa impressão tem ficado cada vez mais forte ao passar dos anos. E foi por isso que surgiu o Mulheres em Ação.

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