Com juros em queda e reformas à vista, o que esperar do dólar até o final do ano

A eventual aprovação da Reforma da Previdência somada a fatores externos como o recente corte dos juros nos Estados Unidos poderão pressionar a cotação do dólar a patamares ainda mais baixos no Brasil nos próximos meses.

A avaliação de muitos consultores financeiros é que de há um cenário propício para que a moeda americana siga caindo, ainda que suavemente, em um período de curto prazo. Mas há divergência de opiniões.

A expectativa do mercado, captada pelo Boletim Focus, é que a cotação possa fechar o ano a R$ 3,75.

O diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, explica que há tendência de atração maior de divisas estrangeiras ao Brasil, e a maior oferta de moeda tende a empurrar para baixo a cotação no mercado interno.

“Investidores estrangeiros estão otimistas quanto a aprovação da Reforma da Previdência e também com os cortes dos juros nos Estados Unidos e países da Europa. Isso tende a incentivar o investimento com maior risco, dando vantagens aos emergentes, como o Brasil”, avalia Cavalcante.

Na quarta-feira passada, o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, cortou a taxa básica de juros do país para entre 2% e 2,25%. Foi o primeiro corte na taxa desde 2008, quando chegou ao piso de 0 a 0,25%. A taxa vinha sendo mantida entre 2,5% e 2,25% desde dezembro de 2018, quando encerrou o ciclo de alta.

O economista e diretor-executivo da consultoria de Câmbio NGO, Sidney Nehme, por outro lado, pondera que o corte do juro no Brasil pode anular o efeito do corte do FED e da aprovação das reformas.

Na semana passada, o Banco Central decidiu cortar a Taxa Básica de Juros (Selic) de 6,5% para 6%, após 16 meses. Além disso, indicou que a Selic poderá continuar em queda. Isso significa menor remuneração (e menos incentivos) para a chegada de capital ao país.

Economia incerta ainda amarra cotação

Na análise de Nehme, este corte afasta os fluxos externos de capitais especulativos do Brasil. E, para que desembarque por aqui mais dinheiro para investimento produtivo, é preciso que a economia se mostre mais forte.

“O Banco Central precisará se manter vigilante sobre o comportamento do câmbio, provavelmente tendo que agir de forma mais contundente e diversificada com suas intervenções de imediato para conter os efeitos ruins do estreitamento entre as taxas de juros interna e externa, enquanto as benesses poderão ocorrer no médio prazo”, afirma.

Nehme comenta também sobre o avanço da Reforma da Previdência no Congresso. Apesar da aprovação em primeiro turno, que indica que a proposta poderá ser bem-sucedida daqui por diante, a economia ainda poderá demorar para absorver seus efeitos e conseguir atrair mais capital estrangeiro.

“Apesar de a Reforma ser uma medida imprescindível e correta, o amplo imbróglio que é a nossa política tributária, que acarreta gastos enormes ao empreendedor no Brasil, ainda gera com grau alto de incertezas aos investidores nacionais e estrangeiros”, afirma o economista.

Quatro formas de economizar nos gastos para viajar

  • Compre os dólares aos poucos

Se você já tem em mente o seu itinerário e consegue fazer o orçamento da viagem, o ideal é começar a ir comprando moeda estrangeira aos poucos, com 12 meses de antecedência. Dessa forma, conseguirá montar uma reserva que manterá a média da cotação no período, já que é muito difícil saber qual será o momento em que o dólar estará mais barato.

  • Leia notícias sobre câmbio

Mesmo que não seja possível prever uma queda do dólar, o noticiário pode ajudar a saber quando a moeda estrangeira está em tendência de baixa, o que é ótimo para você comprar alguns dólares a mais no planejamento mensal.

  • Não conte com o cartão de crédito no Exterior

Quem pagas as compras no exterior usando o cartão de crédito não sabe exatamente quando vai pagar quando a fatura chegar, pois o valor pago é feito referente ao dia de fechamento da fatura e não na data da compra. Além disso, há cobrança de 6,8% de IOF.

  • Prefira levar dinheiro vivo

Levar cartão pré-pago é uma medida menos pior do que o cartão de crédito porque você sabe qual o valor da cotação. Mas nessa situação também haverá a cobrança de 6,8% do IOF. Já o dinheiro vivo é cobrado IOF de 1,1%.