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A união nos grandes desafios: uma lição para lidar com os riscos das pandemias

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CIDA HESS: Economista e contadora,especialista em finanças e estratégia. Mestre em Contábeis pela PUC/SP, doutoranda pela UNIP/SP. Atua como executiva e consultora de organizações. [email protected] / MÔNICA BRANDÃO: Engenheira, especialista em finanças e governança corporativa. Mestre em Administração pela PUC/MINAS. Atua como executiva, conselheira de organizações e professora. [email protected]

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Esta é uma história real, objeto do filme As One, de 2012: no ano de 1991, ou seja, há 30 anos, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul se uniram para participar do Campeonato Mundial de tênis de mesa, em Chibba, Japão. Aquele foi um momento especial do esporte asiático e mundial: atletas de ambos os países disputaram o citado torneio, sob a bandeira da unificação das Coreias. O evento foi inusitado; afinal, Coreia do Norte e Coreia do Sul estavam separadas, como Estados, desde o final da Segunda Guerra.

O início do filme, uma produção sul-coreana dirigida por Moon Hyun-sung, mostra uma disputa acirrada – não ainda no evento supracitado –, em que uma atleta da China vence, ficando respectivamente em segundo e terceiro lugares Hyun Jung-hwa (Coreia do Sul) e Li Bun-hui (Coreia do Norte), atletas reconhecidas em seus países pelo grande talento.

No pódio, Hyun Jung-hwa e Li Bun-hui, personificadas pelas carismáticas atrizes sul-coreanas Ha Ji-won e Bae Doona, trocam farpas ferinas sobre suas colocações, como se fossem inimigas, não apenas adversárias do esporte. O inesperado, contudo, ocorre: as Coreias do Norte e do Sul anunciam mundialmente, pouco após, que criarão equipes unificadas, masculina e feminina, para participar do Campeonato Mundial de tênis de mesa no Japão. O anúncio provoca um frisson esportivo e, principalmente, político naquele ano de 1991.

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O filme As One focaliza o contexto específico da sul-coreana Hyun Jung-hwa, uma atleta obstinada que sonha em melhorar a vida de sua família, a qual sobrevive de forma digna e modesta na Coreia do Sul. O pai de Hyun Jung-hwa, com quem ela tem um relacionamento de grande afeto – na realidade, o afeto está presente na pequena família –, está hospitalizado e inconsciente. E ela não é apenas uma atleta excepcional: tem forte personalidade e mostra, em mais de uma passagem, liderança sobre jogadores e jogadoras norte e sul coreanos.

Inicialmente, ocorre o esperado choque cultural entre atletas das Coreias do Norte e do Sul, bem como entre os respectivos técnicos das equipes. Entretanto, pouco a pouco, o antagonismo dá lugar ao entendimento. Os relacionamentos e laços afetivos entre os atletas se fortificam. O vínculo mais relevante para o filme é aquele criado entre Hyun Jung-hwa e Li Bun-hui, que se tornam próximas, especialmente quando a segunda, que tem hepatite (escondido de toda a equipe unificada das Coreias), passa mal e é socorrida pela anterior adversária.  Ao prestar socorro a Li Bun-hui, Hyun Jung-hwa fica ciente sobre a hepatite e nada revela.

Nesta antológica contenda do tênis de mesa internacional, o time feminino unificado enfrenta a praticamente invencível equipe da China. O jogo é dramático, com lances polêmicos, e nessa singular história da vida real, a equipe feminina unificada tem um adversário fortíssimo a vencer e vários problemas. As One tenta recriar o ocorrido em uma filmagem com a máxima valorização cinematográfica de cada momento, de maneira que ainda que quem vê o filme não goste de esportes, ficará magnetizado pelas cenas criadas sob a batuta do diretor Moon Hyun-sung.

A reação do público presente ao jogo, egresso de variadas partes do Planeta, é de grande envolvimento emocional com o que ocorre em quadra, como ocorreu na vida real, até o apito final. Pode-se dizer sem medo de errar que o filme As One é emocionante e, nesse sentido, especial destaque merece, além do espetacular enfretamento China versus Coreia Unificada, a despedida entre Hyun Jung-hwa e Li Bun-hui, atletas de primeira linha.

Para os interessados em disciplinas como Relações Internacionais, Direito Internacional Público e outras congêneres, As One é uma oportunidade de melhor entender o contexto de separação das Coreias do Norte e do Sul e de refletir sobre a possibilidade de que um dia as Coreias se tornem um único estado e um único povo, como já foram. A história da humanidade demonstra, no longo prazo, que o futuro é uma construção permanente, em que pesem obstáculos aparentemente instransponíveis.

Ao mesmo tempo, As One tem a ver com questões universais, como liberdade, união e a superação que pode ocorrer quando as pessoas estão altamente desafiadas e motivadas. E traz uma lição básica para o momento atual de crise COVID-19, em que distintos países enfrentam um vírus que pode ser mortal: a união em prol da vida e da qualidade de vida é crucial.

No ambiente corporativo, a união tem se manifestado de distintas formas, destacando-se neste artigo os incontáveis acordos criados dentro das cadeias produtivas, de modo que estas operem sem deixar de atentar aos protocolos de saúde recomendáveis. Entretanto, a união necessita ser mais ampla. Ressaltamos a necessidade de mais união assertiva para enfrentar as questões socioeconomicas e ambientais, que integram a sustentabilidade.

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Em entrevista concedida a este portal Acionista, o professor Biagio F. Gianetti afirma que as pandemias resultam das relações dos seres humanos com o meio ambiente, da forma como a vida civilizada desequilibra o ambiente. E que não é possível separar os debates econômico e ambiental.

Assim sendo, entendemos que é preciso que a união se dê no sentido de que cada município – é nos municípios, em última instância, que a natureza e as pessoas estão localizadas – trabalhe para mitigar os riscos econômicos, sociais e ambientais que criam as pandemias e outros males, com forte apoio estadual e a coordenação federal onde cabível, nos termos da Constituição Federal.

Lembramos também da importância da integração intermunicipal e de que é preciso participação da sociedade. E acrescentamos que os agentes dos mercados financeiros e de capitais não podem ficar alheios a esses debates; aliás, devem usar os múltiplos mecanismos desses mercados para cooperar na mitigação de riscos e do sofrimento das pessoas.

Eventuais antagonismos que criam desalinhamento e fracasso – no limite, pandemias mortais – precisam deixar de existir ou ser minimizados, identificando-se e extinguindo-se as causas que os produzem. Foi o que houve no caso da equipe unificada das Coreias no tênis de mesa feminino de 1991: a união fez a diferença.

Finalizando, a solidariedade é fundamental em uma pandemia, como a COVID-19, mas é preciso união e o consequente alinhamento. Ainda que a crise COVID seja dominada – e sem dúvida ela deixará muitas mudanças na forma como a humanidade contemporânea vive – é fundamental que haja união entre as esferas competentes e a sociedade, já que o risco de novas pandemias precisa ser mitigado. Sem união e alinhamento, novas pandemias estarão a caminho.

Coreia do Norte e Coreia do Sul – Grandes linhas

A Coreia tem uma história longa, ao longo da qual diversas invasões ocorreram, com destaque para aquelas da China, Japão e Rússia. O País se tornou um protetorado japonês em 1905, o que perdurou até o fim da Segunda Guerra Mundial.

No dia 12 de agosto de 1945, soviéticos invadiram o norte da Coreia até o paralelo 38. Um mês após, em 12 de setembro de 1945, foi estabelecida uma divisão: a parte norte ao paralelo 38 se tornou de influência da União Soviética, e a parte sul, dos Estados Unidos.

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CIDA HESS: Economista e contadora,especialista em finanças e estratégia. Mestre em Contábeis pela PUC/SP, doutoranda pela UNIP/SP. Atua como executiva e consultora de organizações. [email protected] / MÔNICA BRANDÃO: Engenheira, especialista em finanças e governança corporativa. Mestre em Administração pela PUC/MINAS. Atua como executiva, conselheira de organizações e professora. [email protected]

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