O governo federal convocou representantes de setores estratégicos do agronegócio para uma série de reuniões com o objetivo de discutir medidas para conter a alta no preço dos alimentos.
A iniciativa inclui encontros com associações dos setores de carnes, açúcar, etanol e biodiesel. As reuniões terão início nesta quinta-feira (27) no Ministério da Agricultura e seguirão na Casa Civil ao longo da próxima semana.
Diálogo com o setor produtivo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá um relatório detalhado da primeira rodada de encontros e poderá conduzir reuniões adicionais no Palácio do Planalto com ministros e assessores próximos.
A decisão de convocar os empresários foi tomada em reunião no Palácio do Planalto na última terça-feira (25), com a participação de ministros responsáveis pelo tema.
O governo já descartou a adoção de medidas intervencionistas, como a imposição de cotas para exportação, que limitariam os volumes de produtos vendidos ao exterior e estariam sujeitas a tributos caso excedidas.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, chegou a afirmar que pediria demissão caso tais medidas fossem adotadas. A postura oficial é de que o aumento de preços é temporário e deve se estabilizar com a próxima safra.
Alternativas em debate pelo governo
Entre as possíveis ações a serem debatidas, o setor de biodiesel propõe o aumento imediato da mistura do biocombustível no óleo diesel comum, de 14% para 15%.
A mudança, inicialmente prevista para março, foi adiada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Segundo Donizete Tokarski, diretor-presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), essa medida poderia beneficiar a cadeia de carnes, pois ao aumentar a produção de biodiesel, também haveria maior oferta de farelo de soja, utilizado na alimentação do rebanho.
O governo, no entanto, adiou a decisão alegando que o aumento da mistura poderia gerar um impacto de até R$ 0,02 no preço final do diesel, o que poderia refletir em outros setores da economia.
A Ubrabio defende que esse impacto seria pequeno frente aos benefícios ambientais, energéticos e econômicos da mudança.